O Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, que já tinha as equipas muito desfalcadas, vê agravadas as dificuldades ao serem retirados médicos para a urgência do Hospital de Sintra. Não foram realizados processos de recrutamento para assegurar médicos para esta unidade. A promessa de aliviar o Hospital Amadora-Sintra transforma-se assim numa maior sobrecarga para os médicos desta unidade e prejudica os seus utentes.
A urgência do novo Hospital de Sintra está a ser garantida por médicos do Hospital Fernando Fonseca (HFF), na Amadora. Os médicos de Medicina Interna estão a ser obrigados a deslocarem-se para a unidade de Sintra, entre as 8h00 e as 20h00. Estes médicos chegam a estar escalados 12 horas numa das unidades e nas 12 horas imediatamente subsequentes na outra unidade, não estando sequer previsto tempo para a deslocação.
O serviço de urgência do HFF já se encontrava fortemente sobrecarregado, com equipas muito desfalcadas – muitas vezes incluindo apenas um ou dois médicos especialistas e acumulando, além da urgência externa, também a urgência interna na assistência a 600 doentes internados – passando, agora, para uma situação de grande défice.
Para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), não se compreende que não tenha sido assegurada a contratação de médicos para garantir os serviços do novo hospital - com 60 camas de internamento, seis salas de cirurgia, 34 gabinetes de consulta médica, 54 gabinetes de apoio a exames e um Serviço de Urgência Básica (SUB).
A pressa em inaugurar o hospital, ainda sem recursos humanos próprios, demonstra o que parece tratar-se de uma ação de campanha feita à custa da sobrecarga dos médicos do Hospital Fernando Fonseca, numa região com mais de 580 mil habitantes e onde 34% dos utentes não têm médico de família.
A difícil situação em vários dos serviços no HFF não é nova e tem sido acompanhada pelo SMZS. A abertura de um novo hospital para servir a população não deve ser uma oportunidade desperdiçada e não deve pôr em causa o funcionamento do Hospital Fernando Fonseca.
Propostas firmes para enfrentar a crise no SNS
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reuniu, dia 12 de julho, no Porto, o seu Conselho Nacional, para analisar a situação grave que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa. Na reunião foi também definida a estratégia negocial com as Entidades Públicas Empresariais da Saúde, com vista à revisão dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), com a próxima reunião agendada para 28 de julho.
De acordo com o plano de ação aprovado, a FNAM levará à mesa das negociações um conjunto de propostas estruturais e inadiáveis:
- Recuperação das 35 horas semanais para todos os médicos, sem perda de vencimento;
- Reintegração dos médicos internos na carreira médica;
- Reforço da formação médica contínua e das medidas de proteção da parentalidade;
- Transparência e justiça nos procedimentos concursais;
- Valorização da progressão na carreira médica.
A FNAM anunciou ainda o lançamento de uma petição pública para o reconhecimento do estatuto de desgaste rápido da profissão médica, um passo fundamental para o reconhecimento formal das condições exigentes e penosas do exercício da medicina no SNS.
Um SNS em crise: a realidade não se esconde
Durante o Conselho Nacional, foi feita uma análise dos efeitos das políticas de saúde implementadas no último ano. O chamado Plano de Emergência e Transformação na Saúde revelou-se propaganda sem substância, enquanto a situação no terreno se agravou de forma visível e dramática.
A FNAM destaca, com alarme, os factos seguintes:
- Encerramento de urgências obstétricas na região de Lisboa e Vale do Tejo, Aveiro, e Braga em regime de contingência;
- Meia centena de bebés nasceram em ambulâncias em 2024, e já se registam 38 partos fora das maternidades em 2025;
- Longos tempos de espera nas urgências, chegando a dezenas de horas;
- Mais de 1,6 milhões de utentes sem médico de família;
- Anúncio da fusão de delegações de saúde pública e possível transformação da Direção-Geral da Saúde em instituto, o que poderá fragilizar ainda mais a estrutura do SNS.
A realidade exige respostas urgentes. A FNAM questiona: até quando se insistirá em degradar o SNS? Quantas mais tragédias serão necessárias para que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, tome as medidas que se exigem?
A FNAM exige medidas estruturais, que assegurem o SNS e recuperem a confiança dos profissionais e da população.
- O plano de emergência foi apenas propaganda. O caos nas urgências, os partos em ambulâncias e o abandono de milhões de utentes são a realidade do SNS.
- Os médicos estão exaustos, desvalorizados e em fuga. O país não pode continuar a perder quem ainda quer trabalhar no SNS.
- As nossas propostas são claras: mais médicos, mais condições e mais dignidade. Sem isso, não há futuro para o SNS.
- Exigimos uma negociação séria e consequente. Não aceitaremos mais remendos nem soluções à custa dos profissionais.
- É tempo do Governo assumir responsabilidades. Não por nós — mas por todos os que dependem do SNS para viver com segurança.
Compromisso com um SNS público, digno e sustentável
A FNAM reafirma o seu compromisso com um SNS público, acessível e de qualidade, assente numa política de recursos humanos que valorize os médicos e demais profissionais de saúde e garanta cuidados seguros, humanizados e universais.
O SNS não é uma fábrica, e os médicos não são peças de produtividade. O que está em causa é o futuro da saúde pública em Portugal. É tempo de agir.
Eleitos os Delegados do SMN para 2025-2028
Entre os dias 1 e 3 de julho, os médicos do Norte elegeram 46 Delegados do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) para o triénio 2025-2028. Nas 14 Unidades Locais de Saúde (ULS) da região e no IPO do Porto, a participação dos médicos reforçou a representação do SMN nos locais de trabalho — um dos sindicatos da FNAM —, que continua na linha da frente na defesa intransigente da melhoria das condições de trabalho nos serviços de saúde e da recuperação de um SNS público, digno e universal.
Os 46 delegados agora eleitos representam uma presença sindical de proximidade, determinada e atenta à realidade concreta dos locais de trabalho.
Porque ninguém luta sozinho — e cada local de trabalho é um espaço de partilha e resistência. Estamos onde faz falta: com os médicos, pelos médicos e pelo SNS.
Consultar a lista completa de delegados eleitos aqui,
A FNAM expressou a sua solidariedade em resposta à Carta Aberta escrita por um grupo de médicos do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da ULS da Região de Aveiro (ULSRA).
Em resposta, a FNAM manifestou partilhar das mesmas preocupações que motivaram a redação da carta, expressando não só a sua solidariedade, mas também total disponibilidade para responder às legítimas reivindicações aí expostas, comprometendo-se a articular todas as formas de ação que considerem necessárias.
A FNAM tem denunciado a pressão inaceitável para realização de horas suplementares muito além dos limites legais e eticamente sustentáveis. Esta pressão tem-se intensificado de norte a sul do país em todo Serviço Nacional de Saúde, o que coloca em risco a segurança dos médicos e utentes.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), integrado na FNAM, denuncia uma situação grave na Unidade Local de Saúde do Alto Ave (ULSAA): quatro Unidades de Saúde Familiar (USF) foram ameaçadas de extinção por recusarem aceitar condições impostas à margem da Lei.
Estas unidades asseguram atualmente cuidados a cerca de 50 mil utentes, que poderão ver o seu acesso à saúde seriamente comprometido caso se concretizem as ameaças feitas pelo Conselho de Administração da ULSAA.
A situação ocorreu numa reunião de contratualização no passado dia 25 de junho, quando as equipas alertaram que o serviço exigido — consultas a agudos e doentes irregulares fora do horário normal — não tinha sido contratualizado, como a Lei exige. Ainda assim, as USF manifestaram disponibilidade para encontrar uma solução legal e equilibrada.
A resposta da ULS foi inaceitável: ameaçou extinguir as USF, num ambiente marcado por intimidação e ausência de diálogo.
“O que está em causa é o respeito pela Lei e autonomia das USF, pela dignidade dos profissionais e pela proteção dos utentes. Não se pode forçar equipas a aceitar obrigações que não foram contratualizadas”, alerta o Sindicato.
O que está em causa:
- A ULS quer impor serviços fora do horário normal, à margem da contratualização legal;
- Os profissionais querem colaborar, com trabalho que seja enquadrado na lei;
- Foram ameaçados com a extinção das USF, que garantem cuidados de saúde a milhares de pessoas;
- Tudo isto aconteceu sem diálogo e com pressões inaceitáveis sobre equipas que asseguram diariamente o funcionamento dos Cuidados de Saúde Primários.
O Sindicato dos Médicos do Norte denunciou o caso à IGAS e ao Ministério da Saúde e exigiu explicações urgentes ao Conselho de Administração da ULSAA.
“Os médicos estão do lado dos utentes e do SNS. O que não aceitamos é sermos ameaçados por cumprir a Lei.”
A reunião realizada hoje, 1 de julho, no Porto, sob mediação da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e com a presença das Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde, confirmou aquilo que a FNAM tem exigido com firmeza e legitimidade: a retoma formal das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), injustificadamente bloqueadas pelo Ministério da Saúde no anterior ciclo governativo.
Após meses de incumprimento, e na sequência da recusa por parte do Ministério da Saúde liderado por Ana Paula Martins em negociar com a FNAM — a estrutura sindical mais representativa dos médicos no SNS —, a verdade impôs-se: a reabertura do processo negocial é um direito legal e uma exigência incontornável.
Ficou assim marcada, para os dias 25 ou 28 de julho, a primeira reunião de negociação efetiva com vista à revisão do ACT. Esta marcação só foi possível graças à determinação da FNAM, que recusou o desrespeito institucional e a tentativa de marginalizar a representação sindical legítima dos médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A FNAM reafirma o seu compromisso inabalável com a defesa dos direitos de todos os médicos — internos e especialistas, com qualquer tipo de vínculo — e exige um ACT que:
- Valorize a carreira médica e assegure a sua progressão;
- Melhore efetivamente as condições de trabalho, sem colocar em risco direitos conquistados pela ação sindical;
- Recupere a dignidade profissional dos médicos no SNS, cada vez mais fragilizado por políticas irresponsáveis.
O tempo da imposição unilateral e do desprezo pela negociação coletiva chegou ao fim. A FNAM mantém-se firme, combativa e vigilante, na defesa intransigente dos médicos e do SNS.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considera inadmissível que uma falha no sistema de refrigeração tenha levado à suspensão das urgências no Hospital Fernando Fonseca (Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra), expondo, mais uma vez, as fragilidades estruturais graves do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Após forte exigência da FNAM, e face ao incumprimento do Ministério da Saúde, a reunião de retoma das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi marcada para o dia 1 de julho, no Porto, com a presença das Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde e sob mediação da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) junta-se ao movimento “Uma Lista, Uma Vaga” e estará presente nas vigílias que terão lugar no próximo sábado, 28 de junho, às 19h30, em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da Medicina Geral e Familiar (MGF), reafirmando o seu compromisso com os médicos recém-formados e com os utentes, que continuam privados de acesso a cuidados de saúde primários.
O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) publicado no Boletim do Trabalho e Emprego n.º 21 de 2025, celebrado entre o Ministério da Saúde e uma estrutura sindical distinta da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) deixa de fora a maioria dos médicos do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente médicos com contrato de trabalho em funções públicas, médicos em dedicação plena e os médicos internos.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) manifesta a sua profunda preocupação com o programa de Governo apresentado para a área da Saúde, que evita abordar os problemas estruturais que afetam diariamente os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS). As propostas apresentadas falham em responder ao que é verdadeiramente essencial para garantir a sustentabilidade do SNS: salário base digno, valorização da carreira médica e melhoria efetiva das condições de trabalho.