Plano de Ação

Triénio 2026-2028
FNAM - Manifestação

O triénio 2023-2025 ficou marcado por uma profunda instabilidade no SNS, resultado de políticas que agravaram as desigualdades e generalizaram a precariedade.

Assistiu-se à proliferação da prestação de serviços externa, à desvalorização da carreira médica, à multiplicação do trabalho suplementar, ao incumprimento sistemático dos prazos dos concursos e à estagnação da carreira, sem progressão na maioria dos locais de trabalho. A ausência de um regime de dedicação exclusiva efetiva e a proliferação de vínculos precários fragilizaram ainda mais a resposta pública em saúde.

A FNAM manteve-se firme e coerente, defendendo os médicos e o SNS e recusando acordos que propuseram retrocessos laborais e a desvalorização da profissão e da carreira médica. Em contraponto, os governos sucessivos promoveram medidas unilaterais que empurraram milhares de médicos para o setor privado, para o estrangeiro e para a prestação de serviço, agravando a escassez de médicos no SNS.

Em 2023, o regime de dedicação plena substituiu o que deveria ter sido o regime preferencial de dedicação exclusiva, fragmentando ainda mais o modelo. É um regime assente em medidas contraproducentes e que impôs graves perdas laborais: aumento da jornada diária para 9 horas, trabalho ao sábado, eliminação do descanso compensatório após trabalho noturno e aumento do limite anual de trabalho suplementar para 250 horas. Simultaneamente, as grelhas salariais introduzidas falharam na reposição do poder de compra perdido na última década.

Perante este cenário, a FNAM manteve uma ação reivindicativa determinada e consequente: divulgação quase diária nos órgãos de comunicação social, concentrações em todo o país, greves nacionais com elevada adesão e apoio a movimentos como os “Médicos em Luta”, que forçou o governo de 2023 a regressar à mesa negocial.

Desde 2024, os governos privilegiaram negociações com interlocutores politicamente alinhados e excluíram a FNAM, a estrutura sindical que representa o maior número de médicos do SNS. Essa opção dividiu a classe médica e enfraqueceu o papel negocial dos médicos, enquanto se assistiu ao encerramento de urgências de proximidade, sobretudo na área materno-infantil, com aumento da dependência de prestadores de serviços externos e agravando o desvio de recursos públicos para o setor privado e o consequente aumento da despesa.

A FNAM levou a sua voz a Bruxelas, denunciando junto das instituições europeias a degradação do SNS e a violação dos direitos laborais dos seus médicos em Portugal.

Graças à luta e à união sindical dentro da Federação, foram preservados os Acordos Coletivos de Trabalho da FNAM, mantendo os direitos conquistados — como os limites etários para o trabalho noturno e de urgência, o descanso compensatório após trabalho noturno e a ausência de bancos de horas — e reafirmando assim a defesa intransigente da carreira médica e de um SNS público, universal e de qualidade.

Foi também graças à luta determinada e à visibilidade conquistada nos órgãos de comunicação social, com discursos firmes, coerentes e assertivos, que a FNAM ganhou espaço público e reconhecimento como uma das principais vozes ativas na política de saúde.

Ao longo deste triénio, a FNAM modernizou a sua comunicação sindical, com apoio de profissionais de comunicação, que permitiram expandir a sua presença nas redes sociais. Lançou o projeto FNAMZINE e reforçou a proximidade com os médicos através de iniciativas como “A Caravana FNAM”, que contribuíram para aumentar significativamente o número de associados, em alguns casos duplicando a representatividade sindical.

A FNAM entra assim no triénio 2026-2028 reforçada na sua legitimidade, na sua independência e na sua capacidade de mobilização, determinada em manter e aprofundar esta estratégia combativa, moderna e participada, pela dignificação da carreira médica, com o combate à precarização laboral, a reposição do regime de dedicação exclusiva, o reforço da democraticidade das unidades de saúde e a defesa intransigente de um SNS público, universal e de qualidade.

  • A saúde é um direito constitucional e o SNS é a sua principal garantia.
  • O trabalho médico é um bem social, que deve ser reconhecido, valorizado e protegido.
  • A carreira médica é estruturante do SNS e deve ser universal em todos os setores -público, social e privado, de forma a garantir a qualidade dos cuidados de saúde prestados e os direitos dos trabalhadores médicos.
  • A liberdade sindical, a democracia interna e a transparência são princípios inalienáveis da FNAM.
  • A participação ativa e consciente dos médicos é o fundamento da sua força coletiva.
  • A contratação coletiva é o instrumento essencial de negociação e regulação das condições de trabalho.
  • A defesa da dignidade médica é inseparável da defesa do SNS e do direito à saúde para todos.

A FNAM entra neste novo triénio com a mesma força combativa que a caracteriza.

A dignidade médica não é negociável

A defesa do SNS é uma causa nacional

Nenhum retrocesso será aceite

A revalorização da Carreira Médica é crucial

 

FNAM: Valorizar os Médicos, Reforçar o SNS, Garantir o Futuro

A Força Sindical presente!

 

Aprovado no XIV Congresso da FNAM
Viana do Castelo, 16 de novembro de 2025

Petição em defesa do reconhecimento do estatuto de profissão de desgaste rápido aos médicos