A FNAM manifesta o seu total e inequívoco apoio aos médicos do Hospital do Barreiro, que se viram obrigados a apresentar escusa de responsabilidade perante uma situação inaceitável e de risco grave para as grávidas, doentes e para os próprios profissionais.
Com a urgência de Obstetrícia encerrada e sem especialistas de Ginecologia/Obstetrícia disponíveis, os internistas e cirurgiões estão a ser forçados a assumir o seguimento de grávidas internadas, uma tarefa fora do seu âmbito de competência e que coloca em causa a segurança clínica e legal.
Esta é mais uma consequência da degradação do SNS e da total inércia do Ministério da Saúde liderado por Ana Paula Martins e do Governo de Luís Montenegro, que continuam a não contratar os profissionais necessários nem a oferecer condições de trabalho e salários compatíveis com a exigência da profissão médica. O resultado é a crise em serviços essenciais, como a saúde materna e a exposição dos médicos a riscos intoleráveis.
A FNAM apela a todos os médicos que se encontrem em situações semelhantes que apresentem escusa de responsabilidade — um mecanismo legítimo de proteção dos doentes, da profissão e da integridade clínica de cada profissional.
👉 Disponibilizamos aqui o modelo de escusa de responsabilidade, que pode e deve ser usado sempre que necessário.
Esta é uma luta pela dignidade da profissão médica, pela segurança dos utentes e pela defesa do SNS. Não aceitaremos o silêncio nem a conivência com a destruição do SNS.
A FNAM está com os médicos. Estamos com quem não vira a cara à responsabilidade.
Perante a degradação acelerada do Serviço Nacional de Saúde, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) lança hoje a petição “Pelo Reconhecimento do Estatuto de Desgaste Rápido da Profissão Médica”, exigindo que a Assembleia da República reconheça, de forma inequívoca, o enorme impacto que a profissão médica tem na saúde física e mental de quem cuida da população.
Todos os dias, assistimos a urgências com equipas desfalcadas, milhares de utentes sem médico de família, consultas hospitalares sobrelotadas, uma saúde pública cada vez mais fragilizada — e a situações de condições inadequadas ao exercício da atividade médica, podendo daí resultar um risco acrescido de erro clínico, com claro prejuízo para os utentes e para os próprios médicos.
Tudo isto é consequência de um modelo de funcionamento que esgota os seus profissionais até ao limite.
A petição alerta para:
A profissão médica tem de ser oficialmente reconhecida como profissão de desgaste rápido. Valorizar os médicos é proteger o SNS e os cidadãos.
É tempo de proteger quem cuida de todos nós.
Referências Bibliográficas:
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Bronze L. Novos factores de risco para a hipertensão. RH [Internet]. 2025;(107):22–5.
Dutheil F, Boudet G, Perrier C, et al. Heart rate variability in emergency physicians: a randomized trial. Int J Cardiol. 2012;158(2):322–5.
Jachmann A, Loser A, Mettler A, et al. Burnout and mental health in ED staff: a systematic review. J Am Coll Emerg Physicians Open. 2025;6(2):100046.
Norris S, Elliott L, Tan J, Norris S. The mental health of doctors: a systematic literature review. Melbourne: Health Technology Analysts; 2010.
Rauchenzauner M, Ernst F, Hintringer F, et al. Arrhythmias and stress during physicians’ night shifts. Eur Heart J. 2009;30(21):2606–13.
Vala J, Pinto AM, Morteira S, et al. Burnout na classe médica: Estudo nacional [Internet]. Lisboa: Ordem dos Médicos/ICS-ULisboa; 2016
A FNAM – Federação Nacional dos Médicos – denuncia as graves condições de trabalho na USF Parque Cidade, da Unidade Local de Saúde de Loures e Odivelas, onde 10 médicos, 9 enfermeiros e 4 assistentes técnicos já entregaram 23 pedidos de escusa de responsabilidade. Em causa está a prática clínica num edifício sem condições ambientais seguras, colocando em risco utentes e profissionais.
As temperaturas nos gabinetes atingem os 35ºC, muito acima do limite legal de 25ºC, sendo as ventoinhas a única solução oferecida — uma medida desaconselhada em determinadas circunstâncias pelas normas de prevenção de infeções.
A FNAM exige uma resposta imediata da tutela, perante um cenário que se repete por várias unidades do Serviço Nacional de Saúde. Queixas semelhantes chegaram de centros de saúde e hospitais noutras regiões do país, incluindo no Norte.
A FNAM já exigiu explicações ao Conselho de Administração da ULS de Loures e Odivelas e, caso a situação não seja resolvida com urgência, ameaça avançar com queixas formais à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) através do Sindicato dos Médicos da Zona Sul.
O Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, que já tinha as equipas muito desfalcadas, vê agravadas as dificuldades ao serem retirados médicos para a urgência do Hospital de Sintra. Não foram realizados processos de recrutamento para assegurar médicos para esta unidade. A promessa de aliviar o Hospital Amadora-Sintra transforma-se assim numa maior sobrecarga para os médicos desta unidade e prejudica os seus utentes.
A urgência do novo Hospital de Sintra está a ser garantida por médicos do Hospital Fernando Fonseca (HFF), na Amadora. Os médicos de Medicina Interna estão a ser obrigados a deslocarem-se para a unidade de Sintra, entre as 8h00 e as 20h00. Estes médicos chegam a estar escalados 12 horas numa das unidades e nas 12 horas imediatamente subsequentes na outra unidade, não estando sequer previsto tempo para a deslocação.
O serviço de urgência do HFF já se encontrava fortemente sobrecarregado, com equipas muito desfalcadas – muitas vezes incluindo apenas um ou dois médicos especialistas e acumulando, além da urgência externa, também a urgência interna na assistência a 600 doentes internados – passando, agora, para uma situação de grande défice.
Para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), não se compreende que não tenha sido assegurada a contratação de médicos para garantir os serviços do novo hospital - com 60 camas de internamento, seis salas de cirurgia, 34 gabinetes de consulta médica, 54 gabinetes de apoio a exames e um Serviço de Urgência Básica (SUB).
A pressa em inaugurar o hospital, ainda sem recursos humanos próprios, demonstra o que parece tratar-se de uma ação de campanha feita à custa da sobrecarga dos médicos do Hospital Fernando Fonseca, numa região com mais de 580 mil habitantes e onde 34% dos utentes não têm médico de família.
A difícil situação em vários dos serviços no HFF não é nova e tem sido acompanhada pelo SMZS. A abertura de um novo hospital para servir a população não deve ser uma oportunidade desperdiçada e não deve pôr em causa o funcionamento do Hospital Fernando Fonseca.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reuniu, dia 12 de julho, no Porto, o seu Conselho Nacional, para analisar a situação grave que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa. Na reunião foi também definida a estratégia negocial com as Entidades Públicas Empresariais da Saúde, com vista à revisão dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), com a próxima reunião agendada para 28 de julho.
De acordo com o plano de ação aprovado, a FNAM levará à mesa das negociações um conjunto de propostas estruturais e inadiáveis:
A FNAM anunciou ainda o lançamento de uma petição pública para o reconhecimento do estatuto de desgaste rápido da profissão médica, um passo fundamental para o reconhecimento formal das condições exigentes e penosas do exercício da medicina no SNS.
Durante o Conselho Nacional, foi feita uma análise dos efeitos das políticas de saúde implementadas no último ano. O chamado Plano de Emergência e Transformação na Saúde revelou-se propaganda sem substância, enquanto a situação no terreno se agravou de forma visível e dramática.
A FNAM destaca, com alarme, os factos seguintes:
A FNAM exige medidas estruturais, que assegurem o SNS e recuperem a confiança dos profissionais e da população.
A FNAM reafirma o seu compromisso com um SNS público, acessível e de qualidade, assente numa política de recursos humanos que valorize os médicos e demais profissionais de saúde e garanta cuidados seguros, humanizados e universais.
O SNS não é uma fábrica, e os médicos não são peças de produtividade. O que está em causa é o futuro da saúde pública em Portugal. É tempo de agir.
Eleitos os Delegados do SMN para 2025-2028
Entre os dias 1 e 3 de julho, os médicos do Norte elegeram 46 Delegados do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) para o triénio 2025-2028. Nas 14 Unidades Locais de Saúde (ULS) da região e no IPO do Porto, a participação dos médicos reforçou a representação do SMN nos locais de trabalho — um dos sindicatos da FNAM —, que continua na linha da frente na defesa intransigente da melhoria das condições de trabalho nos serviços de saúde e da recuperação de um SNS público, digno e universal.
Os 46 delegados agora eleitos representam uma presença sindical de proximidade, determinada e atenta à realidade concreta dos locais de trabalho.
Porque ninguém luta sozinho — e cada local de trabalho é um espaço de partilha e resistência. Estamos onde faz falta: com os médicos, pelos médicos e pelo SNS.
Consultar a lista completa de delegados eleitos aqui,
A FNAM expressou a sua solidariedade em resposta à Carta Aberta escrita por um grupo de médicos do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da ULS da Região de Aveiro (ULSRA).
Em resposta, a FNAM manifestou partilhar das mesmas preocupações que motivaram a redação da carta, expressando não só a sua solidariedade, mas também total disponibilidade para responder às legítimas reivindicações aí expostas, comprometendo-se a articular todas as formas de ação que considerem necessárias.
A FNAM tem denunciado a pressão inaceitável para realização de horas suplementares muito além dos limites legais e eticamente sustentáveis. Esta pressão tem-se intensificado de norte a sul do país em todo Serviço Nacional de Saúde, o que coloca em risco a segurança dos médicos e utentes.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), integrado na FNAM, denuncia uma situação grave na Unidade Local de Saúde do Alto Ave (ULSAA): quatro Unidades de Saúde Familiar (USF) foram ameaçadas de extinção por recusarem aceitar condições impostas à margem da Lei.
Estas unidades asseguram atualmente cuidados a cerca de 50 mil utentes, que poderão ver o seu acesso à saúde seriamente comprometido caso se concretizem as ameaças feitas pelo Conselho de Administração da ULSAA.
A situação ocorreu numa reunião de contratualização no passado dia 25 de junho, quando as equipas alertaram que o serviço exigido — consultas a agudos e doentes irregulares fora do horário normal — não tinha sido contratualizado, como a Lei exige. Ainda assim, as USF manifestaram disponibilidade para encontrar uma solução legal e equilibrada.
A resposta da ULS foi inaceitável: ameaçou extinguir as USF, num ambiente marcado por intimidação e ausência de diálogo.
“O que está em causa é o respeito pela Lei e autonomia das USF, pela dignidade dos profissionais e pela proteção dos utentes. Não se pode forçar equipas a aceitar obrigações que não foram contratualizadas”, alerta o Sindicato.
O que está em causa:
O Sindicato dos Médicos do Norte denunciou o caso à IGAS e ao Ministério da Saúde e exigiu explicações urgentes ao Conselho de Administração da ULSAA.
“Os médicos estão do lado dos utentes e do SNS. O que não aceitamos é sermos ameaçados por cumprir a Lei.”
A reunião realizada hoje, 1 de julho, no Porto, sob mediação da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e com a presença das Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde, confirmou aquilo que a FNAM tem exigido com firmeza e legitimidade: a retoma formal das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), injustificadamente bloqueadas pelo Ministério da Saúde no anterior ciclo governativo.
Após meses de incumprimento, e na sequência da recusa por parte do Ministério da Saúde liderado por Ana Paula Martins em negociar com a FNAM — a estrutura sindical mais representativa dos médicos no SNS —, a verdade impôs-se: a reabertura do processo negocial é um direito legal e uma exigência incontornável.
Ficou assim marcada, para os dias 25 ou 28 de julho, a primeira reunião de negociação efetiva com vista à revisão do ACT. Esta marcação só foi possível graças à determinação da FNAM, que recusou o desrespeito institucional e a tentativa de marginalizar a representação sindical legítima dos médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A FNAM reafirma o seu compromisso inabalável com a defesa dos direitos de todos os médicos — internos e especialistas, com qualquer tipo de vínculo — e exige um ACT que:
O tempo da imposição unilateral e do desprezo pela negociação coletiva chegou ao fim. A FNAM mantém-se firme, combativa e vigilante, na defesa intransigente dos médicos e do SNS.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considera inadmissível que uma falha no sistema de refrigeração tenha levado à suspensão das urgências no Hospital Fernando Fonseca (Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra), expondo, mais uma vez, as fragilidades estruturais graves do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Após forte exigência da FNAM, e face ao incumprimento do Ministério da Saúde, a reunião de retoma das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi marcada para o dia 1 de julho, no Porto, com a presença das Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde e sob mediação da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) junta-se ao movimento “Uma Lista, Uma Vaga” e estará presente nas vigílias que terão lugar no próximo sábado, 28 de junho, às 19h30, em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da Medicina Geral e Familiar (MGF), reafirmando o seu compromisso com os médicos recém-formados e com os utentes, que continuam privados de acesso a cuidados de saúde primários.