Em tempos de pandemia, a importância do Serviço Nacional de Saúde tem sido reafirmada por todos os quadrantes da sociedade. É de facto inegável que, não fora o SNS, poderíamos estar a lamentar uma situação ainda mais gravosa.
Seria o momento próprio para corrigir as insuficiências do SNS, conhecidas há largos anos, fruto de um desinvestimento crónico em estruturas, em recursos técnicos e, principalmente, em recursos humanos.
Estes défices têm sido colmatados, tanto quanto possível, por um esforço extraordinário dos profissionais de saúde. O esforço dos médicos já ultrapassa todos os limites do aceitável e, ainda assim, mostra-se insuficiente para responder em simultâneo às necessidades da pandemia e à recuperação da atividade assistencial. Consultas, cirurgias, exames… que todos os dias se acumulam, para prejuízo irreparável dos doentes, pese embora todo o esforço despendido.
Os médicos estão exaustos e cada vez mais desmotivados. É uma situação insustentável.
Neste contexto, em que seria essencial valorizar e reforçar os recursos humanos do SNS, criando condições de trabalho atrativas para os médicos, a opção governativa continua a ser de completa desconsideração. A abertura negocial é nula e o resultado está à vista: abandono de médicos do SNS e concursos com um número preocupante de vagas por ocupar.
Não podemos permanecer impávidos perante esta situação.
O que é a «FLASH MANIF – Pelos médicos, pelo SNS»
É uma iniciativa simbólica, de contestação contra a degradação das condições de trabalho dos médicos no SNS.
Um gesto público, exigindo a valorização do trabalho médico, de acordo com a sua responsabilidade, penosidade e desgaste.
Uma chamada de atenção para um SNS que necessita de investimento prioritário.
Como posso participar?
Dia 15 de Setembro, às 11.00, os médicos que se queiram associar a esta iniciativa irão apresentar-se à porta do seu local de trabalho. A sua presença, em conjunto com todas as outras em simultâneo, constituirá uma manifestação alargada e descentralizada.
Bastarão alguns minutos para registar esta intenção, num intervalo da sua atividade normal.
A documentação da participação nesta iniciativa, com uma fotografia por exemplo, deverá ser enviada para o email
Aos médicos que por qualquer motivo não possam deslocar-se à porta do seu estabelecimento, nomeadamente pela natureza da sua atividade, convidamos a registar a sua associação a este protesto, enviando uma fotografia de apoio, onde quer que esteja.
O número de vagas preenchidas no concurso nacional para a contratação de médicos de família recém-especialistas ficou muito aquém do que seria desejável. Para 459 vagas, houve 447 candidatos, mas mais de 130 candidatos desistiram do processo – o que corresponde a cerca de 200 mil utentes que ficaram impossibilitados de ter médico de família.
De acordo com dados recolhidos pelos próprios candidatos, a situação é particularmente preocupante a Sul do país. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, nem metade das 230 vagas foram preenchidas, enquanto que no Alentejo (com 26 vagas a concurso) e no Algarve (28) a taxa de ocupação não chega aos 60%.
Todas as 88 vagas foram preenchidas na região Norte e na região Centro ficaram por ocupar ainda 15% das 87 vagas disponíveis.
Infelizmente, esta situação não é exclusiva deste concurso, tendo vindo a repetir-se nos concursos anteriores e com os quais aparentemente nada se aprendeu.
Para a Federação Nacional dos Médicos, a responsabilidade é do Governo, que insiste em não apoiar devidamente o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e os seus médicos de família, completamente assoberbados com listas de utentes sobredimensionadas, num contexto em que é necessário conciliar o acompanhamento habitual aos seus utentes com a recuperação da atividade que não se realizou em 2020 e 2021, o atendimento e rastreio de casos suspeitos de COVID-19 nas Áreas Dedicadas a Doentes Respiratórios e o apoio nos centros de vacinação.
É preciso investir diretamente em condições de trabalho adequadas para os médicos do SNS ou continuaremos a assistir a esta lamentável perda de profissionais, formados no SNS e altamente qualificados.
O Ministério da Saúde não pode continuar a não negociar com os sindicatos médicos. É fundamental que as negociações sejam retomadas, de forma séria e ponderada, de maneira a respeitar o trabalho dos médicos e a saúde dos seus utentes.
16 de agosto de 2021
A Comissão Executiva da FNAM
A vacinação massiva contra a COVID-19 teve início em janeiro de 2021, tendo sido atribuída esta responsabilidade aos profissionais de saúde dos Cuidados de Saúde Primários. Os médicos de família prontamente assumiram esta nova tarefa e desdobraram-se em mais um novo posto de trabalho – o centro de vacinação.
Devido ao trabalho próximo com a comunidade, assim como ao conhecimento aprofundado da situação clínica da população, os médicos de família têm sido chamados a verificar o estado de saúde dos seus utentes, fazendo triagem de quem deve ser vacinado no centro de vacinação ou no hospital. Além disso, também têm esclarecido os seus utentes relativamente às dúvidas e receios sobre o processo de vacinação, que têm chegado diariamente por e-mail e telefone.
Estas funções e deslocações para o centro de vacinação têm impedido os médicos de família de estarem presentes no seu local de trabalho habitual – o centro de saúde –, reduzindo os cuidados de saúde aos seus utentes e aumentando os tempos de espera para a marcação de consultas.
Ao mesmo tempo, a pandemia já preenche mais de 50% do trabalho nos centros de saúde, uma vez que são os médicos de família que tratam e acompanham 95% das infeções por COVID-19, através de contacto telefónico ou presencialmente nas áreas dedicadas aos agudos respiratórios.
O Ministério da Saúde tem de olhar para o terreno, falar com os profissionais de saúde e compreender que não existem meios humanos, técnicos e logísticos para que avance a recuperação da atividade dos centros de saúde.
Perante esta situação, a FNAM apela ao reforço urgente de profissionais de saúde. São precisos mais médicos, enfermeiros e administrativos para permitir que seja garantido o regresso da atividade plena aos centros de saúde, sem comprometer o esforço de vacinação e o acompanhamento de doentes com COVID-19.
Para avançar neste sentido, a FNAM disponibiliza-se para, em diálogo com o Ministério da Saúde, encontrar soluções que permitam devolver os centros de saúde aos utentes e garantir o bom ritmo da vacinação.
O Conselho Nacional de Medicina Geral e Familiar da Federação Nacional dos Médicos
DESTINATÁRIOS: Médicos
DATAS: 28, 30 setembro, 7, 12, 14, 19, 21, 26, 28 outubro e 2 novembro de 2021
DURAÇÃO: 30 horas
HORÁRIO: Das 19h às 22h30, com um intervalo de 30 minutos
ENTIDADE PROMOTORA: Sindicato dos Médicos do Norte, Rua Faria Guimarães, 718, 3º, 4200-289 Porto
ENTIDADE FORMADORA: Quadros & Metas – Consultores de Gestão e Formação Lda.
ENTIDADE FORMADORA CERTIFICADA nas áreas da Gestão e da Saúde pela DGERT
FORMADOR: Dr. Luís Machado
Licenciatura em Psicologia, Universidade do Minho;
Mestrado Integrado em Psicologia, Universidade do Minho;
Pós-Graduação em Psicoterapias Cognitivo Comportamentais, Instituto Português de Psicologia;
Coordenador, desde 2014, da Área de Saúde Mental e Diretor Técnico do Centro de Solidariedade de Braga;
Colaborador, desde 2011, na Unidade de Psicologia das Organizações do Serviço de Psicologia da Universidade do Minho;
Formador na área comportamental, desde 2007, em Municípios e outras entidades públicas e privadas no âmbito do desenvolvimento de competências de liderança e gestão de equipas, trabalho em equipa, atendimento ao público, gestão do tempo e organização do trabalho, comunicação e avaliação psicológica;
Consultor na criação e implementação de programas de desenvolvimento de competências comportamentais direcionados às organizações;
Realização de Avaliações Psicológicas no âmbito de procedimentos concursais para autarquias.
OBJETIVOS
- Conhecer as diversas caraterísticas e especificidades da relação criada entre o profissional de saúde e o doente;
- Desenvolver as competências de comunicação na relação clínica;
- Compreender o impacto da satisfação e confiança do doente, na adesão terapêutica;
- Identificar, desenvolver e saber utilizar técnicas relacionais como saber observar, saber comunicar, informar, identificar sentimentos e atuar adequadamente perante os mesmos;
- Identificar o perfil individual de relacionamento clínico;
- Desenvolver competências de comunicação empática com o doente.
PROGRAMA
I - Comunicação e Relação Clínica: Introdução
1. Conceitos, modelos e enquadramento
2. Aptidões e capacidades envolvidas no processo comunicacional
3. Condições básicas fundamentais para uma boa relação clínica
4. Os principais erros cometidos na relação clínica.
II – A Construção da Relação Clínica
1. A importância do fator humano
2. A teoria das relações humanas
3. As bases da relação
III – A Importância da Comunicação na Relação Clínica
1. Comunicação e perceção
2. Interação e desenvolvimento da relação
3. Vantagens de uma boa comunicação
4. Perigos da comunicação para a relação clínica
IV - Competências Clínicas de Comunicação
1. O perfil comunicacional do profissional de saúde
2. Estratégias comunicacionais empáticas e assertivas
3. A comunicação não verbal
4. Comportamentos fundamentais para uma boa comunicação
V – Relação Interpessoal: Barreiras e Estratégias
1. Barreiras na relação
§ A desconfiança
§ O tempo
§ Os erros de perceção
§ Os julgamentos e preconceitos
2. O conflito na relação
3. Formas de lidar com os conflitos
4. Estratégias para lidar com o conflito e outras barreiras na relação
VI - Lidar com Emoções
1. Tipos de emoções
2. Funções das emoções
3. Estratégias de gestão emocional na relação
4. O efeito das emoções no comportamento
VII - Entrevista Motivacional
1. Princípios da entrevista motivacional
2. O modelo de mudança e os princípios da entrevista motivacional
3. Estratégias para lidar com a resistência à mudança
REGRAS DE FUNCIONAMENTO ONLINE
- O formador estará em direto com os participantes realizando a formação através da plataforma ZOOM;
- Durante as sessões os participantes poderão colocar questões verbais, mediante as regras a definir pelo formador (quais os tempos, em que fase, qual a ordem, etc.). Ainda durante as sessões haverá possibilidade também de colocação de questões por escrito ao formador, através do chat room do ZOOM. As questões serão respondidas durante a sessão ou na sessão subsequente;
- Será fornecida toda a documentação de suporte à formação;
- Esta formação é certificada.
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Número máximo de participantes: 20
As inscrições serão consideradas pela ordem de chegada, dando prioridade aos sócios do SMN.
A inscrição inclui: Frequência do curso; Documentação; Certificado de participação – para quem solicitar, o curso pode incluir avaliação e respetiva nota no Certificado.
Sócios
120 € (com IVA já incluído a 23%) Não Sócios
160 € (com IVA já incluído a 23%)
Condições de pagamento:
O pagamento deverá ser efetuado até 5 dias antes da realização da Formação por transferência bancária para o SMN (IBAN - PT 5000 350 651 003 663 589 2619).
Para efetuar a sua inscrição:
Envie, por favor, a Ficha de Inscrição que se encontra em anexo para:
ou para o fax nº: 22 502 4447
Utentes dos centros de saúde de Almada e do Seixal partilham zonas comuns com utentes suspeitos de COVID-19
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) tomou conhecimento que a Direção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Almada-Seixal determinou o encerramento da Área Dedicada a Doentes Respiratórios (ADR), que funcionava em instalações independente, cedidas pela autarquia do Seixal, com base no argumento de um «reduzido número de novos casos de COVID-19».
Assim, os utentes com sintomas respiratórios passaram a ser observados nas respetivas Unidades de Saúde Familiar e de Cuidados de Saúde Primários, violando a norma 004/2020 da DGS quanto à necessidade de circuitos exclusivos para utentes respiratórios.
Tem chegado ao nosso conhecimento que, em várias unidades, os utentes respiratórios aguardam observação no mesmo espaço que utentes não respiratórios, além de não existirm áreas de receção, áreas de espera, salas de observação, áreas de tratamentos e instalações sanitárias exclusivas para estes utentes com sintomas respiratórios. Inclusive, numa unidade de Almada, os utentes respiratórios sobem e descem no mesmo elevador que crianças, grávidas ou outros utentes não suspeitos de COVID-19.
Numa altura em que os números de novos casos têm vindo a agravar-se, o SMZS considera incompreensível que seja posta em causa a segurança dos utentes e profissionais, apelando à tutela para que atue de forma imediata com vista à reposição das boas práticas.
A Direção do SMZS

A FNAM pondera avançar para a via judicial
Subsídio extraordinário de risco, valorização da remuneração do trabalho suplementar e dias de férias adicionais não saíram do papel em muitas unidades de saúde.
Em resposta ao incumprimento destas medidas de compensação dos profissionais de saúde, previstas em Orçamento do Estado para 2021, os Sindicatos da FNAM ver-se-ão forçados a ponderar a reclamação de direito, por via judicial, contra as instituições de saúde incumpridoras, em defesa dos seus associados.
Salvaguardando que há instituições de saúde cumpridoras, muitas outras existem em que estas medidas têm sido simplesmente ignoradas, aplicadas de forma discricionária ou assimétrica e até confiscadas após atribuição inicial.
Contrastando com o aparato com que estas medidas foram anunciadas pelo Governo, a sua aplicação denuncia que nunca houve intenção genuína de compensar os profissionais de saúde.
Não só as medidas publicadas teriam uma vigência inicial de 20 dias, com uma prorrogação de outros 20 dias após um hiato temporal incompreensível, como algumas nunca chegaram a ser colocadas em prática. Os dias de férias atribuídos neste contexto continuam por atribuir, por exemplo.
Estas situações configuram uma falta de honestidade para com os médicos e até para com os deputados que aprovaram estas medidas na Lei do Orçamento do Estado, cujo espírito legislativo não pode certamente ver-se representado neste verdadeiro logro.
Uma vez que a tutela não mostra iniciativa de auditar o processo, como lhe competiria, a FNAM irá promover um inquérito nacional com o intuito de perceber até onde a aplicação destas medidas falhou e atuar de acordo.
Este problema vem somar-se ao problema de fundo: a ausência de reformas estruturais, negociação de medidas de real valorização do trabalho médico e investimento na capacitação do SNS.
2 de julho de 2021
A Comissão Executiva da FNAM

Apesar do expectável agravamento da situação pandémica na Área Metropolitana de Lisboa (AML), os cidadãos e serviços de saúde são novamente confrontados com a total ausência de medidas de planeamento e prevenção. A FNAM insiste na necessidade urgente de reforço dos recursos do SNS e considera incompreensível a apatia por parte do Governo e do Ministério de Saúde em não concretizar medidas indispensáveis no combate à pandemia. Adicionalmente, as medidas de valorização dos profissionais de saúde anunciadas com pompa e circunstância em fevereiro de 2021, para além de irrisórias, continuam por cumprir. Os profissionais de saúde continuam a não ter a sua profissão devidamente valorizada e estão exaustos.
O aumento dos indicadores que se tem verificado ao longo das últimas semanas permitia prever o agravamento da situação pandémica que atualmente se verifica. Após 3 ondas de atividade pandémica, sabe-se hoje mais sobre o impacto da COVID-19 na população e a decorrente pressão nos serviços de saúde que o aumento do número de casos por região poderá implicar. O Governo é o único responsável pelas consequências que o agravamento da situação pandémica no país venha a ter sobre o SNS e a vida dos cidadãos.
Apesar do conhecimento atual e dos alertas constantes dos Sindicatos Médicos, não foram implementadas medidas fundamentais para uma resposta adequada.
As equipas de saúde pública, médicos de família, médicos hospitalares ou intensivistas não só não foram reforçadas, como em muitos locais estas equipas contam com menos elementos comparativamente com o período de janeiro a março de 2021. Mesmo não sendo expectável, pelo número de cidadãos vacinados, que se venha a verificar uma taxa de mortalidade tão elevada como aquela que se verificou no início do ano, o aumento do número de casos de COVID-19 em internamento vai novamente colocar em causa a atividade não-COVID.
Desde o início do ano que se aguarda um verdadeiro reforço do SNS, nomeadamente com a abertura urgente de concursos: não foi ainda aberto o concurso extraordinário para colocação de médicos que não tiveram acesso à especialidade, nem o concurso para colocação de recém-especialistas, e vários médicos contratados no contexto da pandemia não permaneceram no SNS e/ou não sabem se terão essa possibilidade.
Recordamos que a FNAM apresentou há meses várias propostas para recuperação da atividade assistencial e valorização do trabalho médico, que o Ministério da Saúde insiste em não negociar.
Os médicos continuam e continuarão a desempenhar o seu papel no combate à pandemia e a assegurar os cuidados de saúde nas restantes áreas, mas estão exaustos e desmotivados!
A FNAM alerta que é urgente tomar medidas que motivem a fixação dos médicos e encarar o SNS como o pilar indispensável do combate à pandemia, reforçando-o e dando condições dignas de trabalho para quem nele exerce.
19 de junho de 2021
A Comissão Executiva da FNAM
No encerramento do 23.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, o bastonário, Miguel Guimarães, atribuiu a medalha de mérito a Mário Jorge Neves, presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e que presidiu a FNAM em três mandatos alternados.
A medalha de mérito da Ordem dos Médicos é uma distinção conferida a médicos que, pela sua atividade e mérito pessoal, profissional, académico ou associativo, tenham contribuído de forma relevante para a dignificação da profissão médica, da medicina e da humanidade.
Mário Jorge Neves é médico especialista de Saúde Pública e em Medicina do Trabalho. Licenciou-se em medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), em 1981. Pertenceu à comissão de curso de medicina do 3.º ao 6.º ano da FMUL, foi membro da Direção da Associação de Estudantes, tendo sido coordenador da Direção nos anos letivos de 1978-79 e 1979-1980. Na FMUL, foi também eleito para o Conselho Pedagógico no ano letivo de 1979-1980.
É autor de dois livros: Guia Prático da Melhoria da Qualidade na Saúde e A Saúde, as Políticas e o Neoliberalismo.
Como dirigente sindical, integrou as delegações negociadoras de todos os diplomas das carreiras médicas e dos atuais contratos coletivos de trabalho.
Atualmente, é também coordenador da Comissão para a Reforma da Saúde Pública, coordenador para a elaboração do Novo Relatório sobre as Carreiras Médicas da Ordem dos Médicos, membro do Conselho Consultivo para o SNS e das carreiras médicas da Ordem dos Médicos e membro fundador do Observatório de Saúde António Arnaut.
A Ordem dos Médicos, ao atribuir esta medalha de mérito, «enaltece a vida e obra de cada um» dos homenageados.
A FNAM congratula a Ordem dos Médicos por esta iniciativa e parabeniza este seu dirigente pelo reconhecimento público dum percurso ímpar em prol da Medicina e dos médicos portugueses.
O Conselho Nacional da FNAM identifica o momento presente como fulcral para o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da saúde dos portugueses.
É essencial avaliar os problemas atuais e as medidas propostas para os resolver.
Plano de Recuperação e Resiliência
O papel insubstituível do SNS é agora evidente, até para os mais céticos. Este é o momento para lhe dar prioridade e para investir verdadeiramente na sua capacitação. É esse propósito que se esperaria ver refletido num «Plano de Recuperação e Resiliência».
Contudo, para além das insuficiências conhecidas e sobre as quais a FNAM se manifestou em tempo próprio, há, afinal, uma outra face do plano, com compromissos que não foram colocados à discussão pública e que pouco lhe acrescenta de positivo.
A uma proposta de investimento no SNS flagrantemente insuficiente, acresce agora um evidente compromisso para uma «compressão» da despesa, lembrando tempos de má memória para o SNS e para os portugueses.
De forma inusitada, este plano infiltra propostas completamente fora de propósito e cuja presença se estranha neste contexto.
Destacamos, pela negativa, a intenção de criar um órgão de supervisão das ordens profissionais, por membros externos à mesma. Um claro ataque à autorregulação e completamente inaceitável quando estão em causa matérias como reconhecimento de habilitações e matérias disciplinares. Também inaceitável para a FNAM é a ingerência de «personalidades externas» no processo de avaliação dos estágios profissionais, conforme sugerido neste plano.
São propostas que desregulariam o exercício da medicina, colocando-o à mercê das veleidades políticas do momento. Algo que a FNAM repudia veementemente.
Medidas excecionais para o combate à pandemia
Em relação à instituição de medidas excecionais com reflexo nos direitos laborais dos médicos, justificadas com o período pandémico, é lamentável que em nenhuma altura o Ministério da Saúde tenha sequer informado os Sindicatos previamente.
A substituição do exercício de negociação com os Sindicatos – que nunca esteve vedado pelos estados de emergência – pela simples publicação de decretos e portarias que limitam os direitos laborais dos médicos, representa bem a postura que este ministério tem assumido em relação aos médicos e suas estruturas representantes.
Os médicos mostraram uma abnegação ímpar nestes tempos difíceis. Também a FNAM tem demonstrado integral respeito pelas necessidades do país e da população. O mínimo que se exige da tutela é o respeito recíproco pelos trabalhadores médicos e pelo seu Acordo Coletivo de Trabalho.
«Prémios, subsídios e suplementos COVID»
Têm sido amplamente anunciadas pelo Governo medidas que supostamente compensariam o esforço extraordinário dos profissionais de saúde no combate à pandemia COVID.
É necessário desmascarar o desfasamento entre esta propaganda e a realidade:
- De um «prémio de desempenho» que em mais de um ano de pandemia se cingiu a um período de poucas semanas, com critérios cumulativos que excluíram a maioria dos médicos;
- De um «subsidio de risco» de valor irrisório, limitado no tempo e por critérios tão específicos que a poucos se aplica;
- De um suplemento relativo às horas extraordinárias, que leva a discriminação entre os médicos e com um curtíssimo limite temporal.
São medidas propagandísticas, de impacto mínimo, que defraudam os médicos, as intenções do Parlamento e geram uma falsa imagem nos portugueses.
É preciso deixar bem claro que tais medidas nunca foram solicitadas nem apoiadas pela FNAM. É posição da FNAM que este tipo de medidas seja enquadrado num regime de risco, penosidade e desgaste rápido, que acompanhe a Carreira Médica. Apresentamos, aliás, uma proposta nesse sentido, que não mereceu qualquer resposta por parte do Ministério da Saúde.
Cuidados Primários e a pandemia de SARS-CoV-2
O papel dos Cuidados Primários no combate a esta pandemia tem sido sistemática e permanentemente subvalorizado.
A importância dos Médicos de Saúde Pública dispensa palavras e o seu volume de trabalho ultrapassa tudo o que é razoável.
E, no entanto, neste contexto dificílimo, em que interessaria, de uma vez por todas, valorizar esta área da Carreira Médica, o que temos a registar?
- Uma interpretação abusiva sobre as obrigações da disponibilidade permanente;
- Uma proposta irrisória de suplemento para Autoridade de Saúde Pública.
Quanto aos Médicos de Família que foram a base do acompanhamento e diagnóstico comunitário da maioria das situações desta pandemia, não teve o Ministério da Saúde a coragem de informar adequadamente o público sobre as limitações existentes neste sector, deixando criar a perceção pública de que os centros de saúde estariam a trabalhar abaixo das suas capacidades. Uma das grandes mentiras desta pandemia.
Com dezenas de contactos e registo diário em plataformas informáticas, atendimento em Áreas Dedicadas aos Doentes Respiratórios na Comunidade (ADR-C) e, simultaneamente, tentando dar resposta ao compromisso assistencial com os seus doentes, navegando entre os constrangimentos para consultas presenciais e a insuficiência de recursos humanos e técnicos, criou-se uma situação de dificil gestão.
A tudo isto veio somar-se o processo de vacinação – que todos esperamos seja um sucesso e que possa decorrer no Serviço Nacional de Saúde –, mas para o qual são necessários mais meios porque, logisticamente, com os recursos atualmente disponíveis é impossível mantê-lo a médio/longo prazo, em simultâneo com cumprimento e recuperação da atividadde assistencial diária.
Neste contexto, mais que a registar, temos a lamentar:
- A ausência de progressão das USF A para modelo B, em 2020;
- As propostas de contratualização em que não são tidas em conta as atividades de combate à pandemia;
- A abertura nula para a possibilidade de redimensionar as listas de utentes dos médicos de família para níveis sustentáveis.
É necessário colocar as ações no lugar das palavras e valorizar efetivamente os Cuidados de Saúde Primários.
Um verdadeiro investimento no SNS e melhores condições para os médicos que a ele se dedicam são condições essenciais para que este tenha um futuro.
É urgente uma mudança radical de postura por parte da Ministra da Saúde, que mantém as portas do diálogo encerradas.
A FNAM está, como sempre esteve, do lado da negociação responsável, em nome dos médicos, dos seus doentes e do Serviço Nacional de Saúde
2 de junho de 2021
A Comissão Nacional da FNAM
No dia 19 de maio, quarta-feira, às 21h30, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) promove um webinar sobre o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas, com Rosa Encarnação, psiquiatra no Hospital Magalhães Lemos, Joana Saraiva, pedopsiquiatra no Centro Hospitalar Universitário do Porto, e Tiago Santos, psiquiatra no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, moderado por António Sá Leuschner, presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental.
Para participar no webinar deve primeiro registar-se. Mais informações no site do SMN.
Participação da Federação Nacional dos Médicos na audiência dos sindicatos médicos na Comissão Parlamentar de Saúde, sobre o combate à pandemia de COVID-19 e a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que teve lugar na Assembleia da República, a 28 de abril de 2021.
Intervenções de Noel Carrilho, Guida da Ponte e Rosa Ribeiro.
O vídeo completo da audiência pode ser visto no site da ARTV.
No dia 4 de maio, terça-feira, às 21h00, o Sindicato dos Médicos do Norte promove um webinar sobre «Estratégia de saúde integrada em tempos de pandemia», com Carlos Nunes, presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Norte, moderado por Ana Costa, médica de família na USF Santa Clara, e José Luís Fernandes, médico de família na USF Nova Salus.
Para participar no webinar deve primeiro registar-se. Mais informações no site do SMN.