A Fnam e o SIM consideram que "esta Greve assumiu uma enorme dimensão com a adesão da esmagadora maioria dos médicos e teve um significativo impacto político-sindical". No comunicado conjunto onde fazem o balanços dos dois dias de greve os sindicatos médicos afirmam que "o Ministério da Saúde não pode repetir os mesmos procedimentos de "negociações" aparentes, e o próprio Governo tem de tomar consciência de que está perante um problema grave num sector da vida nacional tão delicado e sensível como o é a Saúde."
Os sindicatos médicos fizeram hoje à tarde o balanço do primeiro dia da greve dos médicos que está a registar uma adesão de 90 por cento.
Hoje é dia de greve dos médicos. Direto do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Declarações de Mário Jorge Neves, presidente da FNAM. CM TV - CM Jornal Hora do Almoço

Os sindicatos dos médicos entregaram em mão, ontem, na residência oficial, uma carta para o Primeiro-Ministro onde é solicitada a imediata intervenção política do chefe do Governo para a criação de condições que se impeçam a rápida radicalização do um processo negocial com o Ministério da Saúde e é transmida a disponibilidade dos sindicatos para uma reunião urgente, logo após os dois dias de greve, de modo a encontrar soluções que superem os actuais obstáculos.
Na carta, os sindicatos explicitam os contornos de uma enorme agudização conflitual, raramente enfrentada em várias décadas de actividade constitucional das organizações sindicais médicas, e que tenderá a agravar-se rapidamente perante os comportamentos ministeriais.
A CGTP-IN divulgou hoje , num comunicado à imprensa, a solidariedade da central sindical com a greve dos médicos "e apela aos trabalhadores de todos os sectores de actividade, assim como às suas famílias para apoiarem esta luta, que é de todos, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Na íntegra, é o seguinte o teor do comunicado da CGTP-IN:
Amanhã, 3ª feira, dia 9 de Maio, às 18 horas, uma delegação de dirigentes sindicais da FNAM e do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) irá deslocar-se à residência oficial do Primeiro-Ministro para proceder à entrega de uma carta onde alertam para o conflito aberto pelo Ministério da Saúde, apelando à intervenção política do Primeiro-Ministro, de modo a ser encontrada urgentemente uma solução que impeça o agravamento crescente do processo de luta em desenvolvimento.
As organizações representativas de Médicos (FNAM, SIM, OM, e ANMSP) no seguimento de recomendação do Fórum Médico, decidiram abandonar a Comissão de Reforma da Saúde Pública Nacional criada por Despacho do Ministro da Saúde de 19/09/2016.
Esta tomada de posição conjunta das organizações médicas foi motivada pela forma incorreta como os trabalhos da Comissão vêm sendo conduzidos (o que, oportunamente, motivou denúncias públicas por parte destas estruturas), pela ocultação de informação essencial ao bom andamento dos trabalhos e culminou com o conhecimento da proposta de integração do Instituto Ricardo Jorge (INSA) na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade do Porto da sua Delegação do Norte, processo conduzido à margem da Comissão.
Chegou ao conhecimento da FNAM que os médicos internos que se encontram actualmente a realizar o Ano Comum no Centro Hospitalar do Oeste receberam, no dia 5 de Maio, a convocatória para a assinatura do seu contrato no próximo dia 10 de Maio, data coincidente com o 1.º dia da Greve de Médicos. Adicionalmente, os colegas foram informados que, ao comparecerem, terão a justificação da sua falta ao trabalho enviada para o respectivo serviço de recursos humanos.

Esgotados todos os mecanismos negociais, é altura de fazer um apelo à participação massiva dos médicos na greve de 10 e 11 de Maio, da qual depende o futuro da sua profissão e a salvaguarda da sua dignidade.
COMUNICADO DA FNAM
