A segurança das transfusões começa muito antes de o sangue chegar ao doente
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) apresentou uma participação à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e à Ministra da Saúde para denunciar a degradação das condições de trabalho no Centro de Sangue e da Transplantação do Porto (CSTP) do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST). O Sindicato alerta que esta situação compromete a segurança dos dadores, dos doentes e do sistema transfusional, exigindo a reposição da legalidade e a adoção urgente de medidas que protejam um serviço essencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Qualquer pessoa pode necessitar de uma transfusão de sangue: na sequência de um acidente, de uma hemorragia no parto, de uma cirurgia, de um tratamento oncológico, de uma leucemia ou de um transplante. O sangue não se fabrica, nem se compra. A sua disponibilidade depende da generosidade dos dadores e do trabalho dos médicos especialistas em Imuno-Hemoterapia que, entre outras áreas de intervenção, detêm também a competência em Medicina Transfusional e garantem que cada unidade de sangue é segura, adequada para utilização clínica e administrada ao doente certo, no momento certo.
São estes médicos que avaliam clinicamente os dadores, supervisionam a dádiva, validam os exames laboratoriais e garantem a qualidade e a segurança do sangue utilizado diariamente nos hospitais do SNS. Apesar da elevada responsabilidade que assumem, continuam sujeitos a semanas de trabalho de 52 e 64 horas, sem remuneração do trabalho suplementar e sem os períodos de descanso legalmente previstos, na sequência de uma deliberação do Conselho Diretivo do IPST. A segurança das transfusões não pode depender de médicos em exaustão.
O SMN denuncia, igualmente, a substituição de médicos do quadro por prestadores de serviço nas brigadas de colheita e impede a participação dos médicos da instituição nessas equipas, o recurso a voluntários para atividades sensíveis anteriormente asseguradas por trabalhadores do quadro, o bloqueio da formação médica e a intervenção de estruturas de chefia sem competência na especialidade de Imuno-Hemoterapia em decisões de natureza técnica e clínica.
Desvalorizar os médicos que garantem a segurança do sangue é colocar em causa a confiança dos cidadãos no sistema transfusional. O SMN exige uma intervenção urgente da Ministra da Saúde e a atuação da IGAS para repor a legalidade, respeitar a atividade médica, proteger os dadores e os doentes e salvaguardar a segurança das transfusões no SNS.