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Mudança forçada das instalações da Unidade de Saúde Pública da ULS Santa Maria prejudica utentes e profissionais

Imagem de fundo a mostrar a entrada envidraçada da "Unidade de Saúde Pública" com um retrato e o nome de Francisco George em grande destaque na parede. Em primeiro plano, no canto inferior, há um grafismo de um balão de fala em fundo vermelho e branco com a palavra "COMUNICADO", acompanhado pelos logótipos do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

O Conselho de Administração (CA) da Unidade Local de Saúde (ULS) Santa Maria decidiu, unilateralmente e sem qualquer consulta ou discussão prévia, alterar o local de trabalho de mais de 30 profissionais de saúde que trabalham na Unidade de Saúde Pública (USP) Francisco George, incluindo a equipa de médicos de saúde pública, autoridades de saúde e médicos internos da especialidade.

No início do mês de julho, estes profissionais foram informados de que o seu atual local de trabalho deixará de ser o Centro de Saúde de Sete Rios e passará a ser no Centro de Saúde da Alta de Lisboa, em data ainda por determinar. O Centro de Saúde da Alta de Lisboa está localizado numa zona limítrofe do concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Clara, tendo sido originalmente construído para aí instalar, entre outros serviços, uma Unidade de Saúde Familiar (USF), entretanto fora de funcionamento.

Esta mudança forçada de instalações constitui um autêntico ataque à Saúde Pública e uma clara desvalorização dos seus profissionais, numa altura em que deveria ser dada uma maior centralidade à atuação desta especialidade, no contexto da generalização das ULS no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Constitui, igualmente, um abandono da população das freguesias de Santa Clara e do Lumiar, onde vivem dezenas de milhares de pessoas sem uma Unidade de Saúde Familiar de proximidade.

O CA justifica esta mobilização forçada com a instalação temporária de uma nova USF em Sete Rios, que depois será transferida para o recinto do Hospital Pulido Valente, atribuindo médicos de família a residentes das freguesias de Santa Clara e do Lumiar.

É incompreensível que o CA opte por criar uma resposta distante desta população, "empurrando" médicos de Saúde Pública para fora do seu local de trabalho e comprometendo os serviços que a USP presta à comunidade. De referir que a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Santa Clara e Lumiar, a funcionar neste Centro de Saúde da Alta de Lisboa, regista a percentagem mais alta de utentes sem médico de família de toda a ULS (90,5%), comparativamente à média da própria ULS (32,2%).

Há que defender a manutenção da USP Francisco George em Sete Rios, garantindo a acessibilidade da população aos serviços que presta, nomeadamente Consulta do Viajante, Centro de Vacinação Internacional, Consulta de Infeções Sexualmente Transmissíveis, Centro de Rastreios Oncológicos, resposta a emergências em saúde pública, entre outros.

Os profissionais da Unidade de Saúde Pública entregaram um abaixo-assinado com essas mesmas reivindicações, tendo-se dispondo a colaborar na procura de soluções alternativas, aguardando resposta do CA. De referir que em janeiro do ano passado, estes profissionais tinham enviado uma Proposta de Reorganização da Saúde Pública na ULS Santa Maria, à qual o CA nunca respondeu

O SMZS defende que as instalações da USP Francisco George permaneçam no Centro de Saúde de Sete Rios, tendo em conta os impactos negativos para os profissionais e, acima de tudo, para a população que necessita de cuidados de saúde acessíveis e de qualidade.

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