O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) criticou desde o início o modelo de Urgências Regionais de Obstetrícia implementado pelo Governo.
Na presente semana, a Urgência Regional de Obstetrícia da Península de Setúbal, sediada no Hospital Garcia de Orta, registou vários constrangimentos. Perante esta situação, as grávidas são enviadas ou para Lisboa ou para o sector privado.
A concentração do serviço de urgência das maternidades da Península de Setúbal no Hospital Garcia de Orta, em Almada, sobrecarrega este hospital, em particular na área abrangida pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo), colocando as grávidas a 30-50 minutos da maternidade pública mais próxima.
O encerramento das urgências de ginecologia-obstetrícia no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, é particularmente dramático. Igualmente, a transformação da maternidade do Hospital São Bernardo, em Setúbal, para um serviço periférico - apenas acessível através do INEM para as utentes do Litoral Alentejano - é inadequado quando a área abrangida por este hospital ultrapassa meio milhão de pessoas.
O Governo justificou a implementação deste modelo com a falta de médicos, mas, ao invés de criar condições para fixar mais profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o resultado real é a concentração e encerramento de serviços. Significa que o Ministério da Saúde desistiu do SNS como o garante da segurança e da saúde das grávidas e crianças em vastas zonas do país, em particular na região de Lisboa e Vale do Tejo.
No entanto, esta situação não foi nem é inevitável. O SMZS-FNAM tem soluções para reverter esta série de encerramentos: garantir condições de trabalho, progressão na carreira e salários dignos para fixar médicos. Isto é possível com menos gastos do que os atuais, em que os serviços dependem - e vão continuar a depender, mesmo com as urgências regionais - de trabalho suplementar e de médicos prestadores de serviços.