
O triénio 2023-2025 ficou marcado por uma profunda instabilidade no SNS, resultado de políticas que agravaram as desigualdades e generalizaram a precariedade.
Assistiu-se à proliferação da prestação de serviços externa, à desvalorização da carreira médica, à multiplicação do trabalho suplementar, ao incumprimento sistemático dos prazos dos concursos e à estagnação da carreira, sem progressão na maioria dos locais de trabalho. A ausência de um regime de dedicação exclusiva efetiva e a proliferação de vínculos precários fragilizaram ainda mais a resposta pública em saúde.
A FNAM manteve-se firme e coerente, defendendo os médicos e o SNS e recusando acordos que propuseram retrocessos laborais e a desvalorização da profissão e da carreira médica. Em contraponto, os governos sucessivos promoveram medidas unilaterais que empurraram milhares de médicos para o setor privado, para o estrangeiro e para a prestação de serviço, agravando a escassez de médicos no SNS.
Em 2023, o regime de dedicação plena substituiu o que deveria ter sido o regime preferencial de dedicação exclusiva, fragmentando ainda mais o modelo. É um regime assente em medidas contraproducentes e que impôs graves perdas laborais: aumento da jornada diária para 9 horas, trabalho ao sábado, eliminação do descanso compensatório após trabalho noturno e aumento do limite anual de trabalho suplementar para 250 horas. Simultaneamente, as grelhas salariais introduzidas falharam na reposição do poder de compra perdido na última década.
Perante este cenário, a FNAM manteve uma ação reivindicativa determinada e consequente: divulgação quase diária nos órgãos de comunicação social, concentrações em todo o país, greves nacionais com elevada adesão e apoio a movimentos como os “Médicos em Luta”, que forçou o governo de 2023 a regressar à mesa negocial.
Desde 2024, os governos privilegiaram negociações com interlocutores politicamente alinhados e excluíram a FNAM, a estrutura sindical que representa o maior número de médicos do SNS. Essa opção dividiu a classe médica e enfraqueceu o papel negocial dos médicos, enquanto se assistiu ao encerramento de urgências de proximidade, sobretudo na área materno-infantil, com aumento da dependência de prestadores de serviços externos e agravando o desvio de recursos públicos para o setor privado e o consequente aumento da despesa.
A FNAM levou a sua voz a Bruxelas, denunciando junto das instituições europeias a degradação do SNS e a violação dos direitos laborais dos seus médicos em Portugal.
Graças à luta e à união sindical dentro da Federação, foram preservados os Acordos Coletivos de Trabalho da FNAM, mantendo os direitos conquistados — como os limites etários para o trabalho noturno e de urgência, o descanso compensatório após trabalho noturno e a ausência de bancos de horas — e reafirmando assim a defesa intransigente da carreira médica e de um SNS público, universal e de qualidade.
Foi também graças à luta determinada e à visibilidade conquistada nos órgãos de comunicação social, com discursos firmes, coerentes e assertivos, que a FNAM ganhou espaço público e reconhecimento como uma das principais vozes ativas na política de saúde.
Ao longo deste triénio, a FNAM modernizou a sua comunicação sindical, com apoio de profissionais de comunicação, que permitiram expandir a sua presença nas redes sociais. Lançou o projeto FNAMZINE e reforçou a proximidade com os médicos através de iniciativas como “A Caravana FNAM”, que contribuíram para aumentar significativamente o número de associados, em alguns casos duplicando a representatividade sindical.
A FNAM entra assim no triénio 2026-2028 reforçada na sua legitimidade, na sua independência e na sua capacidade de mobilização, determinada em manter e aprofundar esta estratégia combativa, moderna e participada, pela dignificação da carreira médica, com o combate à precarização laboral, a reposição do regime de dedicação exclusiva, o reforço da democraticidade das unidades de saúde e a defesa intransigente de um SNS público, universal e de qualidade.
A FNAM é firme: não aceitará qualquer retrocesso nos direitos conquistados. Rejeita e denuncia as tentativas de impor regimes que:
A FNAM reafirma: não aceitará a destruição dos direitos laborais, nem a desvalorização da profissão médica.
Proposta de revisão e modernização dos Estatutos da FNAM, atualizando e clarificando as suas disposições, reforçando a transparência, a participação democrática e a adequação da estrutura federativa às necessidades atuais, devendo esta revisão integrar também o Regulamento Eleitoral dos Órgãos Dirigentes e o Regulamento do Congresso.
A FNAM reafirma a força dos médicos como condição essencial para a defesa firme dos instrumentos de regulamentação coletiva, pilares da democracia laboral e da valorização da profissão médica.
Perante a intransigência governamental e a recusa em estabelecer um diálogo efetivo, a FNAM continuará a recorrer a todos os mecanismos legais e institucionais disponíveis, em continuidade com as ações já iniciadas — nomeadamente o envio da proposta de revisão do ACT à DGERT e do ACCEM à DGAEP —, bem como outras diligências junto das instâncias competentes, para obrigar o governo e as entidades públicas empresariais da Saúde a cumprir o seu dever de negociar.
A FNAM utilizará todos os patamares formais da negociação coletiva, incluindo denúncias à Procuradoria-Geral da República, ao Presidente da República e a outras entidades de fiscalização, sempre com o objetivo de garantir o respeito pelos direitos laborais dos médicos.
Se a violação da negociação coletiva persistir, a FNAM acentuará a sua luta com todos os meios legais e sindicais ao seu dispor, incluindo formas de mobilização e protesto proporcionais à gravidade da situação, reafirmando o seu compromisso inabalável com a defesa dos médicos, do Serviço Nacional de Saúde e do direito à saúde de todos.
A FNAM entra neste novo triénio com a mesma força combativa que a caracteriza.
A dignidade médica não é negociável
A defesa do SNS é uma causa nacional
Nenhum retrocesso será aceite
A revalorização da Carreira Médica é crucial
FNAM: Valorizar os Médicos, Reforçar o SNS, Garantir o Futuro
A Força Sindical presente!
Aprovado no XIV Congresso da FNAM
Viana do Castelo, 16 de novembro de 2025