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Nota
de Leitura
Suécia
proibe privatização de hospitais
Jorge
Nogueira
Na Edição de 28 de Fevereiro do BMJ, Jane
Burgermeister relata a proibição da privatização
de hospitais, pela coligação governamental
no poder na Suécia, por receio de que a expansão
dos cuidados de saúde privados possa destruir o
princípio de um serviço de saúde
justo e gratuito.
As
autoridades provinciais, responsáveis na Suécia
pelo sistema de saúde local, não serão
no futuro autorizadas a ceder a gestão de um hospital
a uma companhia baseada no lucro. Isto depois de duas
autoridades provinciais, ambas controladas pelos partidos
de centro direita, terem privatizado alguns hospitais
estatais. No entanto o Governo, uma coligação
de social-democratas com partidos de centro esquerda,
argumentou que a privatização de hospitais
punha em causa um princípio fundamental da saúde
do país – a saber, que o tratamento médico
deve ser proporcionado a cada doente de acordo com a sua
necessidade e não com a sua capacidade para pagar.
De
acordo com a nova lei, as companhias privadas não
serão autorizadas a gerir hospitais que tratem
doentes do regime geral e privados. Além disso,
as autoridades provinciais estão proibidas de entregar
a gestão corrente dos hospitais a companhias baseadas
no lucro. As companhias privadas não poderão
comprar hospitais regionais ou universitários;
só as fundações e os prestadores
não baseados no lucro vão poder gerir hospitais.
Entretanto, os hospitais privados já existentes
continuarão a funcionar, e as companhias baseadas
no lucro podem criar novos hospitais, desde que não
tratem doentes do regime geral.
Olof
Erikson, um dos responsáveis pela Associação
Sueca do Comércio, atacou a lei dizendo que ela
seria o princípio do fim dos hospitais privados
na Suécia, e acusou o governo de fazer dos hospitais
e dos lucros privados bodes expiatórios dos problemas
do sistema de saúde sueco, incluindo o aumento
dos custos e das listas de espera. O sistema de saúde
sueco é considerado um dos melhores do mundo, e
o país tem uma baixa mortalidade infantil e alta
média de esperança de vida. No entanto,
os recursos não acompanharam as melhorias nos cuidados.
O Ministério da Saúde revelou que em 1992
houve 33000 operações às cataratas,
com 16000 doentes em lista de espera, enquanto em 2000
houve 57000 operações, mas o número
de doentes em lista de espera tinha quase duplicado, para
31500, porque a operação é agora
realizada em casos de menor limitação da
visão. O governo deu início a um programa
para reduzir as longas listas de espera e o stress do
pessoal de saúde, e para melhorar os cuidados prestados
aos doentes, pondo maior ênfase na cooperação
entre as instituições existentes. A Suécia
tem poucos hospitais privados. Um dos mais conhecidos
é o Hospital de St Goran, em Estocolmo, com 1500
trabalhadores e 300 camas. Em 2002, menos de 8% de todo
o dinheiro gasto em reembolsos a hospitais pelo tratamento
de doentes foi pago a hospitais privados.
Jorge
Nogueira
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