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NOTA DE
LEITURA
“Foundation Trusts”
O British Medical Journal (BMJ 2003; 326: 1344 – 1345),
na sua edição de 21/06/2003, publicou um
editorial com o título “Foundation Trust”, onde
são referidas as seguintes questões fundamentais:
•“Muito calor e luz” foram
gerados, recentemente, na comunicação social
devido à segunda discussão na Câmara
dos Comuns da lei dos cuidados de saúde e sociais
2003.
O aspecto mais polémico do projecto de lei foi
o plano para aprovar a transformação dos
NHS Trusts em NHS Foundation Trusts, com autonomias adicionais
para conduzir os seus assuntos.
•As principais autonomias
concedidas eram poder contrair empréstimos de capital,
vender património, reter saldos positivos anuais,
o controlo directo do “Departamento de Saúde” era
diminuído, concedidas maiores liberdades de gestão
para, por exemplo, remunerar o pessoal, e serem responsáveis
perante uma nova entidade reguladora.
Outros aspectos da autonomia que existiriam dizem respeito
ao modo como estas unidades são administradas,
embora tivessem de estabelecer um novo conselho de directores
eleitos em parte pelas comunidades locais.
•As autonomias foram diluídas.
Por exemplo, os empréstimos de capital foram sujeitos
a um “limite prudente” colocado pelo Tesouro.
•As autonomias foram restringidas
por razões políticas pragmáticas:
reduzir a oposição a esta política
pelos rebeldes cidadãos comuns e construir um clima
de confiança para que mais hospitais adquiram rapidamente
o estatuto de fundação, sem muita instabilidade
no NHS.
•A polémica discussão
nos Comuns foi efectivamente uma discussão sobre
2 diferentes filosofias políticas: uma, admitindo
autonomia proporcionada por um adequado patamar ou padrões
mínimos; a outra, intervindo para promover equidade,
na qual a distribuição global de recursos
está controlada.
•Este tipo de discussão
esteve, de facto, no centro dos debates sobre a reforma
para além do sector público.
•No final, a submissão
ao Primeiro-Ministro prevaleceu. Somente 65 deputados
do Parlamento se opuseram e o projecto de lei passou com
confortável maioria.
•Os critérios para
decidir quais os “Trusts” hospitalares que podem avançar
para as fundações não estão
claros.
•Permitindo uma classe
elitista de hospitais, mais autonomias irão conduzir
a grandes iniquidades na distribuição de
recursos e a um inaceitável abismo no desempenho
de um serviço de saúde estabelecido no princípio
de acesso igual para necessidade igual.
•Os recentes debates e
o relatório da Comissão Especial de Saúde
da Câmara dos Comuns realçaram que muitas
questões permanecem acerca da política das
fundações, nomeadamente como irá
o regulador funcionar na prática, como serão
identificadas as vantagens e inconvenientes do estatuto
de fundação, como as outras unidades “não
fundação” podem aprender a partir da experiência
para melhorar o seu desempenho; e como os novos mecanismos
para envolver o público na gestão das fundações
irão valorizar os custos?
Como se pode verificar,
esta medida, que no nosso país tem a sua correspondência
nos hospitais S.A., está a suscitar uma ampla discussão
parlamentar.
Por cá, os deputados
continuam alheados de medidas que poderão desencadear
graves consequências para a prestação
dos cuidados de saúde aos cidadãos.
Até quando?
Mário Jorge Neves
28/07/2003
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