No número de 17 de Maio da BMJ,
Anne Gulland, de Londres, faz um resumo das últimas
notícias sobre o assunto. Durante a última
semana, os MF que tentavam saber quanto é que iam
ganhar com os novos contratos foram surpreendidos pela
retirada do instrumento informático que lhes permitia
fazer os cálculos. A BMA (British Medical Association)
teve que retirar o citado instrumento do seu website,
porque ele fazia os cálculos de Londres para todo
o país e não só para a capital.
O software foi disponibilizado na Terça-Feira,
retirado na Quarta, e só voltou à net na
Sexta-Feira à tarde. Este fracasso arrisca-se a
irritar ainda mais os MF, cuja confiança na BMA
vai diminuindo. A BMA viu-se forçada a abandonar
o projecto inicial de inquirir os sócios em relação
ao contrato, depois de muitos MF terem afirmado que iam
ficar pior com as novas propostas.
A Dra Gaby Tobias, MF em Londres, sofreu
pesadas perdas com o contrato inicial, e repetiu as contas
com os novos cálculos no princípio desta
semana, tendo concluído que o seu consultório
não teria muitas oportunidades para ganhar mais
dinheiro. “Estamos cerca de 200 000 Libras (278 000 Euros)
abaixo da soma global. A soma global oferece-nos 543 000
Libras, e a garantia mínima do consultório
749 000, o que significa que a curto prazo não
temos vantagens em vencer abaixo da soma global. Por outro
lado, vamos ser penalizados, porque nos vão tirar
pontos de qualidade no âmbito da garantia de rendimento
mínimo do consultório”. Disse ainda que
se houvesse uma votação amanhã ela
votaria “não”, porque a fórmula de Carr-Hill
é viciada, e ela estava descontente por os cálculos
serem baseados no censo populacional e não no tamanho
das listas.
Na Quarta-Feira os dirigentes dos MF
tiveram que enfrentar uma audiência hostil, composta
pelos representantes locais dos MF, numa conferência
especial. Judy Gilley, dirigente local de Bedfordshire
e Hertfordshire, disse que a fórmula de Carr-Hill
devia ir para o lixo. “Quando olhamos para o pacote global
– as quantificações, a fórmula, o
modo como são usados os números do censo
– percebemos que ele é um erro total. Este contrato
é defeituoso não só tecnicamente
mas também psicologicamente – os MF não
podem confiar nele.
Peter Swinyard, um MF de Swindon que
testou o instrumento de cálculo antes da sua emissão
na net, ficaria a perder com o contrato original. Disse
ele que não ia ganhar mais com os novos números.
“Se, por exemplo, eu fizesse 240 pontos qualitativos,
o que representa muito trabalho, isso ia significar um
aumento de rendimento de 2.2% em 2004-5, e de 7.6% em
2005-6. Ora isto fica muito longe dos 30% que nos prometeram
inicialmente”, afirmou. Disse ainda que se quisesse ganhar
mais pontos ia ter que meter mais pessoal. Nas suas palavras,
“Acho que devíamos interromper tudo pelos próximos
seis meses”.
O negociador da MF, Simon Fradd, defendeu
o contrato. Segundo ele, “Quando as pessoas começarem
a introduzir os dados reais, vão perceber o óptimo
negócio que este contrato constitui”. Acrescentou
que ainda não existe data para uma consulta à
profissão.
Jorge Nogueira