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Nota
de Leitura 1
Na revista British Medical Journal
de 10 de Maio, Christopher Zinn, de Sydney, Austrália,
publica um artigo com o título “A Austrália
propõe duas modalidades de pagamento para as consultas
de MGF”. O autor afirma que os planos de reforma do governo
Australiano para o Medicare, o sistema público
de saúde, foram rejeitados pelas quatro principais
organizações médicas, porque não
resolvem a crise da Clínica Geral.
As últimas alterações
ao sistema pretendem diminuir a carência cada vez
maior de Clínicos Gerais e ao mesmo tempo atacar
o problema dos pobres que têm que pagar as consultas.
Em alguns locais, os MF cobram aos doentes a diferença
entre aquilo que o governo lhes paga pela consulta e o
preço desta. As mudanças mais radicais,
num sistema com 19 anos de existência, consistem
em separá-lo em duas modalidades distintas, oferecendo
incentivos aos MF para estes atenderem de graça
os cerca de sete milhões de pensionistas e beneficiários
da Segurança Social.
Porém, a maior parte dos
doentes correm o risco de perder o acesso a uma prática
conhecida como “pagamento por grosso” (“bulk billing”),
no qual os MF recebem um reembolso da Medicare, no valor
de 25 Dólares australianos, cerca de 14 Euros,
por uma consulta normal, 75% do preço estabelecido,
e não cobram qualquer taxa adicional.
Os planos consistem em alterar
a lei de forma a que os médicos possam receber
o reembolso e cobrar ainda uma taxa adicional, não
regulada e portanto, segundo os críticos, com tendência
para subir.
A Associação Médica
Australiana tem vindo a exigir a duplicação
do preço estabelecido, de forma a compensar a redução
da percentagem de doentes em “pagamento por grosso” (“bulk
billing”), que desceu de 80% para 69%, o que levou muitos
doentes – especialmente em áreas rurais e na periferia
das cidades – a terem que pagar uma taxa adicional. Se
um doente pertence ao sistema por grosso, não tem
que pagar nada. Se não pertence, pode ser reembolsado
em 75% pela Medicare. Qualquer extra cobrado pelo médico
constitui taxa adicional e o doente tem que a pagar.
Numa declaração conjunta,
as quatro organizações acima referidas afirmaram
que as reformas propostas não teriam um efeito
positivo sobre o acesso e a sustentabilidade. Argumentam
que o nível dos incentivos, até 6.30 Dólares
Australianos por consulta, não seriam suficientes
para modificar o tipo de contabilidade dos MF. Um grupo
de 100 consultórios de MF apoiados pela Associação
Médica Australiana só conseguiu encontrar
duas Unidades preparadas para aderir ao novo sistema.
O presidente da Associação
Australiana de Clínica Geral disse que alguns elementos
da proposta eram potencialmente positivos. No entanto,
disse também, “O problema é que ela envolve
um elemento de compulsão, porque obriga os médicos
a aderir ou a sair, o que não nos parece que seja
no melhor interesse dos nossos doentes, ou sequer no dos
médicos”.
A Ministra da Saúde, Kay
Peterson, rejeitou as afirmações dos médicos,
dizendo que o governo defenderia o seu ponto de vista
perante o “tribunal da opinião pública”.
Disse ela que “A grande maioria dos médicos serão
financeiramente beneficiados pelo pacote do Governo. É
justo para os médicos e é justo para os
doentes”.
As reformas do Medicare preparam-se
para enfrentar uma forte oposição no Senado,
onde os partidos de oposição estão
decididos a bloqueá-las. Estes partidos consideram
que as reformas levarão as famílias a ter
que pagar mais pelas consultas de MF.
Os planos incluem ainda mais 234
lugares para estudantes de Medicina que queiram trabalhar
nas áreas florestais do país, mais 150 cursos
de formação em MGF, e mais 457 enfermeiras
para ajudar os MF.
Jorge Nogueira
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