COMUNICADO
A Urgência do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental
Uma
delegação da Direcção do Sindicato dos Médicos da
Zona Sul visitou, no dia 28/7/2008, o serviço de
urgência do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental,
sedeado no Hospital S. Francisco Xavier, e constatou
uma situação de caos instalado a que os
profissionais de saúde e os doentes estão sujeitos.
Esta
situação está agravada com as obras que se iniciaram
de forma precipitada e sem que as adequadas medidas
alternativas de funcionamento tivessem sido
salvaguardadas.
Há
cerca de 20 anos que as instalações deste serviço de
urgência se mostram desadequadas e insuficientes
para responder à especificidade e diferenciação do
trabalho aí executado e ao número de doentes
assistidos diariamente.
Tendo
em conta a visita efectuada, importa sublinhar as
seguintes questões fundamentais:
·
Espaços exíguos para o desenvolvimento do trabalho,
sem as condições mínimas para a observação e
tratamento dos doentes.
·
Condições deploráveis sem a garantia de privacidade
para a observação e avaliação dos doentes.
·
Instalações sem equipamento suficiente e espaço
adequado para os casos mais críticos.
·
Espaços de circulação sem funcionalidade, com
corredores onde não é possível cruzarem-se 2 macas.
·
Sem adequadas saídas, circuitos de segurança,
isolamento e condições de higiene.
·
As escalas de urgências caracterizam-se pela sua
indefinição e não programação, surgindo
frequentemente incompletas.
·
As equipas de urgência são manifestamente
insuficientes para o número diário de doentes e para
a gravidade das situações que se deparam.
·
Enorme sobrecarga de tarefas para o número de
profissionais escalados, as quais se junta, muitas
vezes, o transporte de doentes em estado crítico
para outros hospitais, deixando as equipas ainda
mais desfalcadas.
Nestas
condições preocupantes e que exigem uma urgente
solução, os profissionais de saúde são obrigados a
desenvolver diariamente a sua actividade numa
situação de grande stress e com elevadas
probabilidades de erro na abordagem das situações
clínicas.
Simultaneamente,
são crescentes as situações de conflitualidade e
agressividade por parte dos doentes ou seus
familiares devido às suas naturais reclamações pelas
condições de atendimento e pelos tempos de espera.
O
Sindicato dos Médicos da Zona Sul considera
inadmissível a ausência de mecanismos efectivos de
responsabilização das Administrações face a
situações desta gravidade.
Nesse
sentido, torna-se cada vez mais evidente que a
aplicação do estatuto EPE, ao contrário das virtudes
com que foi justificado por alguns círculos
político-ideológicos, não resolveu nenhum dos
problemas existentes e tem-se revelado, inclusive,
um factor de agravamento do estado de funcionamento
das unidades hospitalares e da qualidade
assistencial aos cidadãos.
Lisboa, 1/8/2007
A Direcção