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SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL

 

A urgência do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental
em estado de excepção?

  

Ao longo dos últimos meses a situação no serviço de urgência deste centro hospitalar, situado no Hospital S. Francisco de Xavier, tem vindo progressivamente a agravar-se, colocando já fortes motivos de preocupação quanto á qualidade da sua capacidade de resposta.

A escassez de recursos humanos qualificados para assegurar as escalas do serviço de urgência persiste há longo tempo, não tendo havido, até hoje, a adopção de medidas estruturais visando solucionar esta delicada situação.

Mas igualmente preocupante é a ausência de empenhamento da respectiva administração na fixação dos médicos mais jovens que concluem a sua formação como especialistas e que, fruto do arrastamento da indefinição da sua situação profissional, têm optado por outras unidades hospitalares.

A redução do número das equipas de urgência e dos seus respectivos elementos tem implicado o crescente recurso às horas extraordinárias e à contratação de médicos indiferenciados, como forma de manter este serviço aberto.

Todas as semanas vários médicos são obrigados a efectuar mais de 24 horas de urgência e, como se isto não bastasse, ainda se verificam enormes disparidades no pagamento do trabalho extraordinário, com o incumprimento do respectivo quadro legal e com resultados altamente lesivos para a maioria destes profissionais.

Só nos últimos 6 meses verificou-se a diminuição de 15 médicos na constituição das equipas de urgência de medicina do Hospital S. Francisco de Xavier.

Esta situação de sobrecarga extrema de trabalho extraordinário tem delicadas implicações na desregulação de toda a actividade hospitalar programada e reveste-se de uma enorme deterioração da qualidade formativa dos médicos internos.

Face ao agravamento global da situação e à ausência de medidas por parte da administração deste centro hospitalar, os chefes de equipa de urgência da medicina do Hospital S. Francisco de Xavier apresentaram, no passado mês de Fevereiro, a sua demissão.

Apesar da gravidade deste processo, a administração continuou sem tomar medidas o que motivou a apresentação de novo pedido de demissão no início do mês passado.

Decorrido cerca de mês e meio desde o segundo pedido de demissão nada foi resolvido, nem sequer a substituição dos chefes de equipa demissionários.

Estando ultrapassados largamente os prazos legais para efectuar a referida substituição, os chefes de equipa têm continuado a assegurar essas funções, numa atitude de grande profissionalismo e de claro sentido de responsabilidade ética e institucional.

Os pedidos de demissão são inteiramente justificados , dado que a experiência tem demonstrado quais são as consequências graves que advêm para os profissionais quando contemporizam com situações de carência de meios humanos e técnicos.

De uma forma geral são os profissionais que acabam por ser responsabilizados pelas decisões das administrações, ficando estas numa situação de sistemática impunidade.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul alerta para a preocupante situação de deterioração do funcionamento das urgências, de que este caso é um dos exemplos de mais recente agudização.

Simultaneamente é cada vez mais escandalosa a impunidade de gestão das administrações dos Hospitais EPE que continuam sem ser objecto de qualquer avaliação e responsabilização pelos seus actos e decisões.

A não ser interrompido urgentemente este processo de gestão empresarial é a própria subsistência destes hospitais que está em causa.

 

Lisboa, 20/5/2008

 

                                                                                            A Direcção

 
 

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