É urgente travar o seu desmoronamento
Na sequência do plano de visitas que tem vindo a efectuar aos Hospitais e Centros de Saúde da Região Centro, o SMZC visitou esta semana (12.03) o Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde constatou “in loco” os problemas com que este se tem vindo a debater, a maior parte deles com origem na má gestão de que o Hospital é alvo e que têm conduzido à desmotivação do pessoal clínico, demissão da anterior Directora Clínica e de vários directores de Serviço, nomeadamente da urgência e progressivo esvaziamento financeiro.
A somar aos trágicos acontecimentos que tantas páginas têm ocupado na Comunicação Social, e apesar da tentativa e esforços da nova Directora Clínica de tentar criar um clima de estabilidade, a insatisfação profissional mantém-se, permanecendo lacunas graves:
1-O SMI tem a directora de serviço demissionária há 3 semanas por incapacidade em manter a actividade assistencial por falta de médicos.
2-Os directores dos Centros de Responsabilidade da Área médica e da área da Saúde Materno Infantil demitiram-se há 1 mes por indefinição de estratégia do Conselho de Administração para aqueles sectores.
3-O serviço de radiologia, serviço que necessita de profunda remodelação estrutural e de equipamento, encontra-se em vias de não ter capacidade para dar resposta às solicitações de rotina por falta de médicos.
4-Ausência de contratualização interna, seja ao nível dos serviços ou dos Centros de Responsabilidade.
Desde essa data não há sequer esboço de resolução para o hiato criado na organização destas áreas assistenciais protocoladas em regulamento interno do Hospital - e apresentadas como grande mudança organizacional.
No que ao Serviço de Urgência respeita, o SMZC constatou a enorme vontade e dedicação do actual Director, um óptimo espaço físico, contudo as dificuldades ainda são muitas, nomeadamente na interacção interna dos diferentes sectores prestadores de serviço assistencial e na precariedade laboral de muitos profissionais, nomeadamente médicos indiferenciados, além de que à revelia do parecer dos profissionais médicos do HIP o CA elabora contratos com empresas de prestação de serviços médicos dificultando assim a continuidade de cuidados, além do aumento da própria despesa com pessoal.
Em termos de resultados financeiros, constata-se que esta gestão, tem acelerado a falência técnica.
Em 2005 o resultado líquido foi de 6,5 milhões negativos (note-se que este CA entrou em 1 de Novembro de 2005). Em 2006, o actual presidente comprometeu-se a equilibrar o hospital em termos financeiros (entrevista ao jornal "O Aveiro"), o resultado foi de 13,8 milhões negativos, prevendo-se que o balanço de 2007, dados não conhecidos oficialmente, seja ainda superior!
Certamente que estes atrasos implicam prazos de pagamentos enormes e os prejuízos acumulados já enquadram o hospital no conceito de falência técnica.
O SMZC/FNAM, considera pois, insustentável a situação em que vive o Hospital de Aveiro, e exige do poder político soluções para tentar inverter a destruição desta instituição.
Para que daqui a algum tempo, em Aveiro, para se ter acesso a cuidados de Saúde, não nos tenhamos que deslocar ao lado das instalações deste Hospital…
Coimbra, 14 de Março de 2007
A Direcção do SMZC