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Sindicato dos Médicos da Zona Centro

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NOTA À IMPRENSA - 17 de Dezembro de 2007

 

Hospital de Cantanhede - Novas “Urgências” iniciaram no dia 15.12.07

 

O que mudou?

Os Médicos de Família

deixam de estar no CS e passam para o Hospital!

 

Como previsto e contrariando as orientações técnicas (inclusivé emanadas pela MCSP e enviadas à ARSC), legislação e os profissionais de saúde dos CSP, inaugurou-se no dia 15 de Dezembro de 2007 ou melhor passou a funcionar sob a responsabilidade do Centro de Saúde de Cantanhede, o actual serviço de urgência do Hospital de Cantanhede, agora denominado de “consulta não-programada para casos agudos do foro ambulatório”, a funcionar no mesmo local mas em horário reduzido, das 8h00 às 24h00.

Para quem ainda tinha dúvidas que este serviço não é efectivamente uma “consulta não-programada” do Centro de Saúde, mas sim a continuidade do serviço de urgência, basta consultar o Diário As Beiras, de 15.12.07 e ler as declarações do presidente do CA do respectivo Hospital que confirma que os profissionais do CS, designadamente os enfermeiros, “não possuem experiência de trabalho ao nível das urgências”, sendo por isso necessário que os enfermeiros do hospital colaborem na formação desses profissionais e que o Hospital estará disponível para colaborar “o tempo que for necessário”, não indo por isso, “os doentes sentir as mudanças”!

Pois, mais uma vez, os profissionais dos CS são chamados a “tapar” as necessidades dos serviços hospitalares, apesar de existirem 3,7 médicos hospitalares para 1 médico de família. Além do mais, os C.S. de Cantanhede já têm lacunas na acessibilidade programada, nomeadamente por falta de médicos de família, havendo mesmo utentes sem médico de família.

No entanto, e contrariando todos as recomendações para um correcto funcionamento dos CSP, a decisão da ARS do Centro é de retirar do horário 8h-20h, mais médicos do CS, visto que estando no Hospital, não podem estar disponíveis para dar resposta de qualidade (continuidade) aos seus utentes, conduzindo a uma menor acessibilidade dos utentes ao seu MF no horário das 8h-20h, aumentando obrigatoriamente os dias de espera para consultas programadas no CS, passando por isso, mais uma vez, a necessidade dos utentes recorrerem ao serviço de urgência.

Em suma: uma clara opção política da ARS do Centro, acarinhada pelo Sr. Ministro, contrariando mesmo a sua própria Reforma (CSP), de privilegiar o primado da acessibilidade indiscriminada sobre a pertinência e qualidade de intervenção em saúde.

Estará a ARS Centro em consonância com a reforma dos CSP cujo principal objectivo é melhorar a Saúde das populações? Ou a evidência de comportamento autista dos responsáveis políticos pela Saúde será apenas um capricho político, prepotência ou obstáculo a uma verdadeira reforma dos CSP e da Rede de urgências?

As promessas da Tutela não passam de facto de virtualidades noticiosas, nada tendo a ver com a realidade. Encerram-se Unidades de Saúde mas não se encontram alternativas dignas.

 

A Direcção do SMZC

Coimbra, 17 de Dezembro

 

 
 

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