Sindicato dos Médicos da Zona Centro
Praça da República, n.º 28 - 2.º
Ÿ
3000-343 COIMBRAŸTelef.:
239 827737ŸFax:
239 837788Ÿ91
3626493
E-mail:
smzc@fnam.pt
NOTA À IMPRENSA - 17 de
Dezembro de 2007
Hospital
de Cantanhede - Novas “Urgências” iniciaram no dia 15.12.07
O que
mudou?
Os
Médicos de Família
deixam
de estar no CS e passam para o Hospital!
Como previsto e contrariando
as orientações técnicas (inclusivé emanadas pela MCSP e
enviadas à ARSC), legislação e os profissionais de saúde dos
CSP, inaugurou-se no dia 15 de Dezembro de 2007 ou melhor
passou a funcionar sob a responsabilidade do Centro de Saúde
de Cantanhede, o actual serviço de urgência do Hospital
de Cantanhede, agora denominado de “consulta
não-programada para casos agudos do foro ambulatório”, a
funcionar no mesmo local mas em
horário reduzido, das 8h00 às
24h00.
Para quem ainda tinha dúvidas
que este serviço não é efectivamente uma “consulta
não-programada” do Centro de Saúde, mas sim a
continuidade do serviço de urgência, basta consultar o
Diário As Beiras, de 15.12.07 e ler as declarações do
presidente do CA do respectivo Hospital que confirma que os
profissionais do CS, designadamente os enfermeiros, “não
possuem experiência de trabalho ao nível das urgências”,
sendo por isso necessário que os enfermeiros do hospital
colaborem na formação desses profissionais e que o Hospital
estará disponível para colaborar “o tempo que for
necessário”, não indo por isso, “os doentes sentir as
mudanças”!
Pois, mais uma vez, os
profissionais dos CS são chamados a “tapar” as necessidades
dos serviços hospitalares, apesar de existirem 3,7 médicos
hospitalares para 1 médico de família. Além do mais, os C.S.
de Cantanhede já têm lacunas na acessibilidade programada,
nomeadamente por falta de médicos de família, havendo mesmo
utentes sem médico de família.
No entanto, e contrariando
todos as recomendações para um correcto funcionamento dos
CSP, a decisão da ARS do Centro é de retirar do horário
8h-20h, mais médicos do CS, visto que estando no
Hospital, não podem estar disponíveis para dar resposta de
qualidade (continuidade) aos seus utentes, conduzindo a uma
menor acessibilidade dos utentes ao seu MF no horário das
8h-20h, aumentando obrigatoriamente os dias de espera
para consultas programadas
no CS, passando por isso, mais
uma vez, a necessidade dos utentes recorrerem ao serviço de
urgência.
Em suma: uma clara opção
política da ARS do Centro, acarinhada pelo Sr. Ministro,
contrariando mesmo a sua própria Reforma (CSP), de
privilegiar o primado da acessibilidade indiscriminada
sobre a pertinência e qualidade de intervenção em saúde.
Estará a ARS Centro em
consonância com a reforma dos CSP cujo principal objectivo é
melhorar a Saúde das populações? Ou a evidência de
comportamento autista dos responsáveis políticos pela Saúde
será apenas um capricho político, prepotência ou obstáculo a
uma verdadeira reforma dos CSP e da Rede de urgências?
As promessas da Tutela não
passam de facto de virtualidades noticiosas, nada tendo a
ver com a realidade. Encerram-se Unidades de Saúde mas não
se encontram alternativas dignas.
A
Direcção do SMZC
Coimbra, 17
de Dezembro