Voltar à página de entradaInício

Adicionar aos FavoritosFavoritos

Subscrever a Newsletter da FNAMNewsletter

Enviar uma mensagem à FNAMCorreio

 Pesquisar na página da FNAMPesquisar Sindicalizar
 

PROTOCOLO ENTRE A CÂMARA MUNICIPAL DE CANTANHEDE
E A ARS DO CENTRO


REESTRUTURAÇÃO DO ATENDIMENTO A SITUAÇÕES DE DOENÇA AGUDA NO HOSPITAL DO ARCEBISPO JOÃO CRISÓSTOMO – CANTANHEDE COM A CRIAÇÃO DE UMA “CONSULTA NÃO PROGRAMADA” DA RESPONSABILIDADE DO CENTRO DE SAÚDE
 

ARS DO CENTRO põe em causa a filosofia dos Cuidados de Saúde Primários*

 

Direcção do SMZC/FNAM

 

Está previsto para o próximo dia 15 de Dezembro de 2007, a inauguração, pelo Sr. Ministro da Saúde, nas actuais instalações da urgência do Hospital de Cantanhede, de uma “consulta não-programada para casos agudos do foro ambulatório, sob a responsabilidade do Centro de Saúde de Cantanhede”, em horário das 8h00 às 24h00.

Este Serviço cujo despacho de constituição se desconhece, sem qualquer normativo legal que o possa sustentar, não regulamentado e apenas descritos por um conjunto de normas contidas no protocolo assinado entre a CM de Cantanhede e a ARS do Centro, sem ter havido participação dos interessados.

Certamente por isso, é proposto que o Centro de Saúde (CS) seja responsável por uma consulta não programada, a ser realizada pelos médicos do CS, aberta a todos os cidadãos, sejam eles ou não da área de influência do CS, para responder às situações agudas, consulta essa a funcionar nas instalações do Hospital, ou seja, fora do CS, o que impossibilita a obrigatoriedade dos médicos do CS, salvo acordo, aí irem prestar serviço.

A constituição deste denominado serviço (“Consulta não-programada”), merece da parte do Sindicato dos Médicos da Zona Centro/FNAM as maiores apreensões porquanto, a criação de um Serviço desta natureza faz evidenciar uma notória irreflexão na génese da reforma em curso dos CSP, além de que a sua constituição é feita ao arrepio da legislação em vigor sobre esta matéria.

 

Mas, deixemos para os Juristas a questão legal, e passemos a analisar o modelo funcional escolhido, os seus objectivos e eventuais repercussões.

 

É sabido que ao criar-se uma “consulta para casos agudos”, no espaço do antigo Serviço de Urgência do Hospital e em que os doentes que recorrem a esta consulta terão acesso directo e imediato aos MCDT (Rx., ECG, Laboratório de análise e fármacos) do Hospital, conferindo todas as características, a esta suposta consulta não programada, de um Serviço de urgência/Unidade Básica de Urgência (artigo 17º do DL nº157/99), esta sim dentro da legalidade.

 

É importante salientar que apesar do enorme esforço que tem sido feito para dar uma efectiva acessibilidade das 8h às 20h, nomeadamemnte com a criação e implementação de uma USF e o funcionamento diário de uma consulta aberta complementar entre as 14h e as 20h, o C.S. de Cantanhede já têm lacunas na acessibilidade programada, nomeadamente por falta de recursos humanos, médicos de família, enfermeiros, administrativos e outros profissionais (psicólogos, nutricionistas, técnicos de serviço social, etc). No entanto, a decisão da ARS do Centro é de retirar do horário, 8h-20h, mais profissionais, visto que estando no Hospital, não podem estar disponíveis para dar resposta de qualidade (continuidade) aos seus utentes.

 

Por outro lado, não vemos de que forma o novo Serviço pode contribuir para a prossecução dos objectivos anunciados, seja a nível da acessibilidade ao CS, muito pelo contrário, é de prever que o novo regime de atendimento, conduza a uma menor acessibilidade dos utentes ao seu MF no horário das 8h-20h, aumentando obrigatoriamente os dias de espera para consultas programadas, visto que em média haverá uma redução de 1/3 da oferta de consultas programadas, muito menos ao nível do reforço da personalização e continuidade de cuidados, o que consequentemente agravará os indicadores de saúde da população.

 

Em suma: cria-se um Serviço no hospital feito por médicos de família como “hipermercado” de consultas médicas despersonalizadas de índole meramente curativa para colmatar a suposta “deficiente acessibilidade dos utentes aos CS”, sendo obviamente ferido o atendimento personalizado e indisciplinar-se-á o padrão de afluência dos utentes ao seu medico de família.

Dir-se-á então que é uma clara opção política da ARS do Centro, acarinhada pelo Sr. Ministro, de privilegiar o primado da acessibilidade indiscriminada sobre a pertinência e qualidade de intervenção em saúde.

 

Será que este é o caminho para a melhoria das condições de saúde das populações?

Será que este é o caminho para a satisfação profissional dos MF?

 

Efectivamente há outras vias para melhorar as condições de assistência às populações, sem descaracterizar a Medicina Geral e Familiar. É urgente criar condições para tal, nomeadamente a atribuição de mais recursos humanos nos Centros de Saúde  e a implementação das USF´s já aprovadas, por exemplo a USF “Gandras” – Febres do CS de Cantanhede - está aprovada desde Agosto e nada se sabe sobre o possível início de funcionamento.

 

Será de perguntar: qual a prioridade na reforma dos CSP, a implementação das USF ou o fecho de serviços de urgência hospitalar e a sua substituição por consultas não-programadas da responsabilidade dos médicos de familia?!...

 

Coimbra, 6 de Dezembro

 

 
 

Sul

Centro

Norte
 




"Ser Médico... Ser Solidário"
LIVRO DE CONTOS TORNA REALIDADE SONHO ANTIGO

Para adquirir  envie-nos um email
( Sócios: Grátis; Não-sócios
:15 euros)

 
 



Como as 5 grandes empresas de contabilidade influenciam e beneficiam com a política privatizadora
( Grã-Bretanha )

 

Federação Nacional dos Médicos
Praça da República, 28-2º - 3000 Coimbra
Tel: 239 827 737 - Mail:
fnam@fnam.pt