11 de Fevereiro de 2007
CONCLUSÕES - "Gestão Por Impulsos"
O Conselho Nacional da FNAM, reunido
em Coimbra, a 11 de Fevereiro, analisou a situação existente no
sector da saúde e aprovou as seguintes conclusões:
1 – A evolução da situação na saúde nos
últimos meses mostra, de uma forma cada vez mais evidente, que se
verifica uma paralisação da capacidade efectiva de resolução dos
problemas existentes por parte das várias estruturas ministeriais.
A acção ministerial encontra-se reduzida
a uma gestão por “impulsos”, a contraditórias e irrealistas
afirmações públicas, a visitas a vários locais e à procura sistemática
de conflitos que sejam susceptíveis de desviar as atenções da opinião
pública em relação aos aspectos gravosos da sua política.
2 – O Ministério da Saúde, tendo concluído
a negociação com as organizações sindicais médicas a 17.11.06, continua
sem publicar o correspondente diploma legal.
Trata-se de uma situação escandalosa e que
coloca directamente em causa os princípios da boa fé negocial que
deveriam ser rigorosamente respeitados por todas as partes envolvidas.
Ao prolongar esta atitude, o Ministério da Saúde está a suscitar a sua
crescente descredibilização política e a introduzir inevitáveis factores
de desconfiança quanto aos métodos de relacionamento institucional que
adopta.
A FNAM irá proceder à denúncia desta
grave situação junto dos órgãos de soberania com o objectivo de procurar
sensibilizá-los para a sua urgente solução.
3 – O processo de Reforma dos Cuidados
de Saúde Primários encontra-se numa fase cujos traços essenciais
colocam legítimas preocupações.
Apesar de uma parte substancial dos médicos
de família terem já mostrado a sua disponibilidade e empenhamento num
projecto sustentado de mudança para uma melhor acessibilidade aos
cuidados de saúde, verifica-se a existência de múltiplos entraves à
rápida instalação das Unidades de Saúde Familiares (USF) por parte das
várias estruturas do Ministério da Saúde.
O arrastamento desta incapacidade de
resposta das referidas estruturas ministeriais irá defraudar legítimas
expectativas dos profissionais de saúde envolvidos. Por sua vez, não se
entende o enorme atraso na aprovação do Decreto-Lei que enquadra as USF
e o sistema retributivo especial de todos os profissionais.
No actual momento, em que a reforma dos CSP
assume uma importância central na solução de vários problemas com que se
debate o Serviço Nacional de Saúde, não é admissível desperdiçar mais
esta oportunidade para uma mudança que sirva os cidadãos.
Os médicos que trabalham nos Centros de
Saúde estão cansados de promessas e não estão dispostos a novas e
circunstanciais manipulações políticas do Poder.
4 – A actividade da Saúde Pública nos
Centros de Saúde desempenha um papel insubstituível no funcionamento
destas unidades, constitui parte integrante dos CSP e é um elemento
essencial no planeamento dos serviços e no acompanhamento das soluções
implementadas.
As tentativas governamentais em
desenvolvimento para transferir a tutela dos médicos de saúde pública
para as autarquias representam um retrocesso para um modelo sanitarista
do século XIX e significariam uma preocupante eliminação da
independência técnica destes profissionais.
A necessária reconfiguração organizativa
dos Centros de Saúde impõe a manutenção da saúde pública como componente
activa e não a redução destas unidades a meras funções da prestação de
cuidados de saúde.
5 – A chamada reorganização dos serviços
de urgência na base de um relatório técnico tem demonstrado o seu
total desfasamento com a realidade objectiva nos planos social e de
funcionamento dos serviços.
O referido relatório, elaborado numa pura
perspectiva de emergência, não permite solucionar os problemas
existentes e, se for aplicado, representará somente mais encerramento de
serviços com dramáticas consequências para os cidadãos.
Entendemos que não é possível definir
qualquer solução para a urgência sem previamente reforçar o papel dos
CSP e melhor estruturar a sua acção quotidiana.
6 – Após décadas de colocação anual dos
médicos internos, verificamos que este ano, pela primeira vez, o
Ministério da Saúde se revelou completamente incapaz de assegurar o
cumprimento legal da data estabelecida para o início de funções dos
jovens médicos. Importa salientar que, a publicação inicial do mapa de
vagas, há alguns meses atrás, foi anulada por decisão do próprio
Ministro da Saúde com a justificação da necessidade de proceder a um
aumento do número de vagas na especialidade de Medicina Geral e
Familiar, demonstrando total incapacidade desta equipa ministerial em
conhecer em tempo real e de forma agregada a informação mínima
essencial, como por exemplo quantos profissionais existem, em que
organismos se encontram ou que actividades se encontram a desempenhar,
quando se vão reformar e quantos médicos especialistas são necessários
em cada especialidade.
Estes factos são uma demonstração da total
incapacidade deste Ministério da Saúde em imprimir uma verdadeira
política de recursos humanos.
7 – As últimas afirmações públicas do
Ministro da Saúde sobre o alargamento do horário de funcionamento dos
centros de saúde para responder prioritariamente aos problemas da gripe,
traduzem-se numa campanha alarmista e, simultaneamente, apresenta
medidas ilegais de imposição de horários de trabalho muito alargados,
sem qualquer negociação prévia com as organizações sindicais e sem
dispor dos recursos necessários.
8 – Foram tomadas diversas medidas
preparatórias do 6.º Congresso da FNAM, que se realiza a 14 e 15 de
Abril, no Porto, Hotel Tuela.
Estão confirmadas as presenças no Congresso
de vários convidados, cabendo destacar desde já, os secretários-gerais
das duas Centrais Sindicais.
Durante o Congresso irá realizar-se, no dia
14 de Abril, uma importante conferência com a participação do presidente
da Federação Europeia dos Médicos Assalariados, Dr. Claude Wetzel, e a
Prof.ª Allyson Pollock, professora de economia da Universidade de
Londres.
O Dr. Claude Wetzel irá abordar a
situação geral dos sistemas de saúde a nível da Europa e a Prof.ª
Allyson Pollock irá analisar as experiências privatizadoras da saúde
a nível internacional e as suas consequências sociais e económicas.
Coimbra, 11 de Fevereiro de 2007
O Conselho Nacional da FNAM