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POSIÇÃO DA FNAM SOBRE A DECISÃO
MINISTERIAL DE CONTROLO ELECTRÓNICO DA ASSIDUIDADE
A recente divulgação da
decisão do Ministro da Saúde em aplicar o controlo electrónico da assiduidade
dos médicos e as reacções que tem suscitado, motivam a seguinte tomada de
posição FNAM:
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O controlo da
assiduidade na Administração Pública encontra-se legislado para o conjunto
dos vários sectores profissionais, ainda que não ajustado às respectivas
especificidades.
Sempre houve casos de
incumprimento e de menor empenho em todos os sectores profissionais. No entanto,
está amplamente documentado que o incumprimento de horários, o absentismo e a
baixa produtividade derivam fundamentalmente de disfunções institucionais e da
inadequação dos métodos de organização de trabalho e de gestão.
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Aproveitando um
inquérito da Inspecção-Geral da Saúde que referiu a situação da grande
maioria dos estabelecimentos públicos de saúde proceder ao controle da
assiduidade através de “livro de ponto”, o Ministério da Saúde tomou a
imediata decisão de aplicar sistemas electrónicos a esse controlo sem
discussão prévia desta medida com as organizações sindicais. Procurou, ao
mesmo tempo, passar para a opinião pública a mensagem de que, com esta
medida, visava melhorar o funcionamento dos serviços e aumentar a sua
capacidade produtiva. Estava assim encontrado o pretexto e justificação,
para responsabilizar terceiros pelos maus resultados da sua gestão e pela
incapacidade de reestruturação dos Serviços Públicos de Saúde até agora
demonstrada pela actual equipa ministerial.
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O controlo burocrático
da assiduidade, electrónico ou por outros meios, é apenas um dos
instrumentos de gestão e não seguramente o mais importante nas organizações
modernas. Ao colocar o acento tónico no estrito cumprimento dos horários
como forma de aumentar a produtividade, o Ministério da Saúde procura
demitir-se de promover mecanismos de regulação interna centrada na
contratualização, com alteração das regras de gestão intermédia das
organizações de saúde e da criação de incentivos que discriminem
positivamente os profissionais mais empenhados. Acresce ainda que a
desresponsabilização dos Directores de Serviço e o esvaziamento do seu
importante papel na garantia da concretização dos objectivos assistenciais,
vem pôr em causa a desejável autonomia das unidades funcionais.
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É uma evidência que o
Ministério da Saúde tem sido incapaz de definir e contratualizar objectivos
de produção para os serviços públicos de saúde, designadamente a nível das
unidades hospitalares. Se assim não fosse, já há muito teria desenvolvido
esforços na implementação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI),
em vez de continuar a ignorar a legislação que os consagra e que continua em
vigor. Simultaneamente, nunca apresentou quaisquer medidas incentivadoras de
aumento da produtividade destes serviços, limitando-se a focalizar a sua
intervenção em cortes, sem critérios, nas despesas e nos recursos humanos.
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A gestão de recursos
humanos tem sido desastrosa. Pela forte desmotivação que origina, em nada
contribui para a produtividade o sucessivo adiamento das negociações do
Acordo Colectivo de Trabalho para os hospitais EPE e sobre Carreiras
Médicas, deixando milhares de médicos sem qualquer enquadramento
socioprofissional, à mercê do arbítrio das administrações.
O recente episódio com os
médicos internos, que levou ao adiamento da colocação nas especialidades por o
Ministério da Saúde não conseguir dar cumprimento às normas regulares de
funcionamento quanto ao início de funções no Internato de 2007, é elucidativa do
pouco respeito que os profissionais lhe merecem. Ao frustrar expectativas de
jovens que anseiam entrar na vida profissional, o Ministério da Saúde não deu um
sinal motivador a estes colegas em início de actividade.
Em defesa do direito
constitucional á saúde e dos interesses socioprofissionais dos médicos, a FNAM
continua empenhada na dinamização de soluções credíveis e tecnicamente
sustentadas que visem reforçar o insubstituível papel das carreiras médicas e do
SNS.
A Comissão
Executiva da FNAM
Lisboa, 11 de Janeiro de
2007
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