Ex.mo Senhor Ministro da Saúde
Assunto:
Negociação do ACT para os Hospitais EPE
Como é sabido,
existe um amplo conjunto de organizações sindicais, representando os vários
estratos de profissionais de saúde, que tem desenvolvido, há largos meses,
um importante processo negocial em torno da negociação de um Acordo
Colectivo de Trabalho (ACT) para os Hospitais EPE (ex-SA).
A FNAM integra uma
das mesas negociais, onde se encontram presentes outras organizações
sindicais representativas dos mais importantes sectores profissionais.
De acordo com a
metodologia negocial inicial, o processo desenvolver-se-ia em torno do
clausulado geral, comum aos vários sectores profissionais, e dos diversos
anexos correspondentes às respectivas carreiras.
Entretanto, e fruto
da decisão do actual governo em nomear uma comissão com o objectivo de
proceder a uma reestruturação das carreiras da Administração Pública, o
processo negocial do ACT ficou limitado ao clausulado geral.
Como se torna
facilmente verificável, existem diversas cláusulas que se encontram
estreitamente ligadas a aspectos relativos às carreiras profissionais.
Nesse sentido, e
havendo uma negociação separada do clausulado geral e das carreiras, não nos
parece possível garantir uma adequada harmonização dos textos respectivos de
molde a salvaguardar a indispensável especificidade de cada carreira.
No caso da carreira
médica hospitalar, a sua elevada especificidade não pode ser assegurada por
qualquer cláusula geral com uma redacção vaga, imprecisa e comum a outros
estratos profissionais.
Face às questões
enunciadas, e tendo em conta que os anexos relativos às várias carreiras
profissionais são parte integrante de um único documento negocial, vimos
transmitir a V.Ex.ª que não é possível a FNAM concluir um acordo negocial
sobre o clausulado geral sem estar igualmente concretizada a negociação a
nível da carreira médica hospitalar nestas unidades EPE.
A grande importância
deste processo negocial coloca, em nossa opinião, a absoluta necessidade de
uma urgente clarificação.
Em conformidade com
esta nossa preocupação, consideramos imperiosa uma reunião com V.Ex.ª que
possibilite analisar as medidas de solução desta delicada situação.
Aguardando resposta,
subscrevemo-nos comos nossos melhores cumprimentos.
P’la Comissão
Executiva

(presidente)
Lisboa, 06/03/2006