REFORMA DOS CUIDADOS DE
SAÚDE PRIMÁRIOS – Posição da FNAM
Terminado o período destinado à discussão
pública do documento “Linhas de Acção Prioritária para o
Desenvolvimento dos Cuidados de Saúde Primários”
elaborado por um grupo alargado de peritos nomeados pelo actual Ministro da
Saúde na sequência duma Resolução do Conselho de Ministros de 7 de Abril,
entende a Federação Nacional dos Médicos tornar pública a sua posição sobre
tão importante momento.
1- O documento em análise constitui, do nosso
ponto de vista, um bom instrumento estratégico que consagra muitas das
medidas que ao longo de vários anos têm sido defendidas pela FNAM e
outras organizações médicas e que no essencial correspondem às mudanças
necessárias à melhoria dos cuidados de saúde e sustentabilidade do sistema.
2 – Os Centros de Saúde portugueses
necessitam de um novo alento e uma nova política que dê resposta a
problemas muito concretos:
- 75% dos actuais Médicos de
Família têm mais de 48 anos.
- Calcula-se que existam cerca de 800.000
portugueses sem Médico de Família.
- A relação Médico de Família / Médico
Hospitalar é de 1:3,8 quando deveria tender para 1:1 (desta forma os utentes
são natural e erradamente “empurrados” para os hospitais com todos problemas
e disfunções daí decorrentes.
- Os Médicos de Saúde Pública, agentes de
nuclear importância na manutenção e vigilância do estado de saúde das
populações, que rareiam a cada ano passa.
É necessário:
- Reforçar o investimento na actual rede de
Centros de Saúde, modernizando-os e dotando-os de meios técnicos e humanos
que permitam um melhor e mais acessível atendimento dos cidadãos.
- Uma nova política de recrutamentos e
definição de ratios entre as várias especialidades médicas segundo as
necessidades identificadas.
- Descentralizar a capacidade de decisão
tornando-a mais próxima dos cidadãos conduzindo por consequência a níveis
superiores de eficácia.
3 – O Governo, através do Ministro da Saúde
decidiu a estratégia, nomeou os peritos e acolheu no essencial o resultado
do seu trabalho assumindo-o como um documento que “coincide
basicamente com o programa do Governo e com o pensamento do Ministério da
Saúde nesta matéria”
.
4 – A experiência de muitos anos recorda-nos
os inúmeros bons documentos acumulados nas gavetas dos gabinetes
ministeriais, nunca ou parcialmente aplicados.
Cabe pois ao poder político a responsabilidade
de dar tradução prática às medidas estratégicas agora propostas.
5 – Para que este processo de mudança se
concretize é absolutamente necessário que a sua transparência e explicitação
sejam claramente assumidas desde o seu início. Existem medidas de curto
prazo que se podem iniciar desde já. O processo deve ser calendarizado e
eficazmente monitorizado.
A criação dum Site da Reforma acessível
aos cidadãos seria por nós aplaudida.
6 – Por outro lado é importante sublinhar que
muito da matéria necessariamente em discussão terá de ser alvo da
correspondente negociação sindical conforme se encontra
definido em lei.
7 - Dentro dos pontos de vista enunciados a
FNAM estará responsavelmente disponível para a mudança que se anuncia
e a realidade nacional exige.
8 – Nesta linha de actuação enviamos hoje
(anexo) ao Ministério da Saúde, uma apreciação do documento em
análise, na qual se identificam alguma dúvidas, se tecem críticas e se
apresentam propostas.
Lisboa, 14 de Setembro de
2005
Comissão Executiva da FNAM