APLAUSO…
Face à publicação em Diário da
República de 03 de Junho, do DL 88/2005, que revoga o
repudiado DL nº60/2003, do tempo do ex-ministro da saúde, a CNMGF da
FNAM aplaude a referida medida, bem como a
recuperação do DL nº157/99, relativo aos Centros de Saúde de 3ª
Geração.
Trata-se de uma decisão que vem
de encontro à vontade e à luta dos médicos de família, que
maciçamente se opuseram ao DL nº60/2003 e que, após a sua
publicação, procuraram diminuir ao máximo os danos decorrentes do mesmo para
a coesão e eficiência do Serviço Nacional de Saúde.
Na generalidade, o DL
157/99, que consagra a autonomia administrativa e financeira dos CS,
bem como a organização com base em Unidades de Saúde Familiares (e
outras unidades operativas) com autonomia técnico-assistencial e funcional,
e equipas multiprofissionais, reúne os princípios básicos para
avançar com as mudanças urgentes e há muito reclamadas.
PREOCUPAÇÃO…
Ao mesmo tempo, a CNMGF
da FNAM manifesta publicamente a sua enorme preocupação,
com outras medidas que constam do mesmo DL 88/2005, contraditórias
e inconsequentes, face às referidas atrás. Mantêm-se:
1)- As
comissões de serviço dos actuais directores dos CS (a
maioria ainda nem chegou ao meio da comissão de serviço de 3
anos);
2)- As suas
condições de exercício profissional, nomeadamente isenção de horário e
pasme-se a possibilidade de
realização de horas extraordinárias remuneradas pelas tabelas da respectiva
carreira médica.
3)-
Num momento de austeridade e contenção, as
regalias remuneratórias que lhes foram concedidas pelo DL nº60/2003,
nomeadamente um subsídio mensal de função (14 meses/ano) no valor de
473 Euros a 574 Euros.
4)- Por sua
vez, o Governo no Programa de Estabilidade e Crescimento,
prevê:
a)-
O congelamento de escalões até 31 de Dezembro de 2006, ou
seja, os próximos 18 meses de trabalho não vão contar para a progressão na
carreira, em termos de escalões;
b)- A eventual
suspensão, por 18 meses, do pagamento do “subsídio adicional de fixação”.
REPÚDIO…
A CNMGF da FNAM não pode deixar de repudiar:
- que seja dado um “voto
de confiança” generalizado aos actuais Directores dos CS,
alguns
deles manifestamente nomeados por critérios de exclusiva confiança política
visando a aplicação cega e dócil da política do ex-Ministro da Saúde, num
momento particularmente decisivo para a reorganização e desenvolvimento dos
novos modelos organizacionais ao nível dos nossos CS.
- que sejam mantidas as
comissões de serviço e respectivo enquadramento e prerrogativas
salariais aos actuais Directores dos CS, em simultâneo com o congelamento de
escalões e a retirada do subsídio de fixação aos médicos de família.
A CNMGF da FNAM sublinha que:
1)- As medidas
de austeridade e contenção não podem ser desculpa para retirar direitos
adquiridos aos médicos de família, já suficientemente penalizados e
para outros (Directores) manter subsídio de função e pagamento de horas
extraordinárias ilegais.
2)- Com as
mudanças necessárias para se iniciar a reconfiguração dos CS em USF,
será inevitável a cessação de comissões de serviço de muitos
directores de CS, o que deverá aonceter sem dar lugar a indemnizações.
3)- Existindo
um Grupo Técnico para a reforma dos CSP, nomeado pelo próprio Sr. Ministro
Correia de Campos, o mesmo não foi ouvido sobre este novo
DL! Situação idêntica aconteceu com os parceiros sociais.
E DISPONIBILIDADE
A CNMGF da FNAM vai continuar atenta, disponível para
colaborar e simultaneamente decidida a lutar com firmeza:
1)- Pela
criação e implementação de USF com autonomia funcional e técnica.
2)- Pela
autonomia administrativa e financeira dos Centros de Saúde logo, não
dependentes de Conselhos de Administração de um qualquer hospital ou
“Unidade Funcional”.
3)- Pela
instalação das “Agências de Contratualização, os contrato-programa e um
sistema de incentivos nas USF/CS.
4)- Pela
dignificação das condições de trabalho dos médicos de família.
5)- Pelo
aumento de médicos de família com a indispensável especialização.
6)- Pela
melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde prestados aos
portugueses.
Coimbra,
06 de Junho de 2005
A CNMGF da FNAM