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Comunicado à Imprensa


 

Pro-actividade da FNAM

Alerta Ministro da Saúde

 

 

O Conselho Nacional (CN) da FNAM, reunido a 14 de Maio de 2005, em Coimbra, analisou a actual situação no sector da saúde, tendo considerado as seguintes questões:

 

1 - Tem sido com surpresa que a FNAM tem vindo a assistir nos órgãos de comunicação social à constante divulgação por parte do Ministro da Saúde de uma série de medidas avulsas, sem qualquer consulta ou informação prévia aos parceiros sociais e em contradição com os compromissos assumidos pelo Primeiro Ministro. Só para dar alguns exemplos:

- O Governo aprovou no dia 07 de Abril em Conselho de Ministros a passagem dos Hospitais SA a Hospitais EPE, mas o Ministro da Saúde admitiu imediatamente a entrada de capitais privados nestas unidades de saúde ("não excluir a existência de capitais privados nos hospitais públicos”). Entretanto, Correia de Campos nega a hipótese, salientando que só "colocou apenas uma hipótese académica”.

            - Por sua vez, apesar da decisão anterior, o Ministro prolongou o mandato da comissão negociadora do ACT e do seu coordenador, Eng. Pedroso de Lima, para reiniciar as negociações do ACT, mantendo a ultrajante proposta do Governo anterior! Afinal, EPE ou SA são a “mesma coisa”?

            - Recentemente, apesar de ainda não ser conhecido nenhum estudo de priorização, o Ministro da Saúde avançou com uma lista de cinco hospitais a serem construídos em Parcerias Público Privado (PPP). Dessa lista não constava o Hospital Central do Algarve. No dia seguinte, foi desmentido pelo Primeiro Ministro que confirmou que o Algarve terá um novo Hospital!

            - Em meados de Abril, o Ministro da Saúde anuncia a intenção de recrutar médicos no estrangeiro para colmatar as carências de médicos de família. No dia 29 de Abril último, é publicado o mapa de vagas para as especialidades que apresenta a mais baixa percentagem de sempre de vagas para a especialidade de medicina geral e familiar (112, 14,7%), apesar do discurso político e do programa do Governo apontarem para o reforço dos CSP.

            - No dia 11 de Maio, veio afirmar que tudo faria para que a gestão dos CS passasse para as Autarquias.

 

2 - Tais factos são um tanto mais graves quando no início do seu mandato, o Governo e o Ministro, optaram e bem, por uma politica de consultar primeiro e actuar depois. Veja-se o conteúdo positivo das Resoluções do CM nº85/2005 (Hospitais SA) e nº86/2005 (Centros de Saúde), criando no primeiro caso a “Comissão para a Avaliação dos Hospitais SA” e no segundo um Grupo Técnico para a “Reforma dos CSP”.

 

Ora, para quê estudar medidas quando, possivelmente, estas já supostamente estão tomadas.

 

3 - A FNAM, considera que este comportamento político do Ministro da Saúde, lança sérias dúvidas sobre as suas reais intenções de cumprir o Programa do Governo para a área da Saúde.

 

4 - Nesse sentido, visto que o Ministro ainda não respondeu ao pedido de audiência efectuado em 2 de Maio, o CN da FNAM decidiu enviar novo pedido de audiência (carta enviada ao Ministro), onde se salienta a nossa preocupação e surpresa com a elaboração do mapa de vagas do último concurso publicado em DR de 29 de Abril, não tenha sido alvo de qualquer auscultação das organizações sindicais médicas, dado tratar-se de uma matéria claramente inserida no âmbito das suas atribuições. Por sua vez, informa-se o Ministro que se encontra por negociar, aprovar e publicar o Regulamento Geral” do Internato Médico. Sendo também, uma matéria que assume claras implicações sindicais, torna-se indispensável a auscultação negocial das respectivas organizações médicas.

 

5 - Tendo tido a FNAM, conhecimento, via imprensa, que o Ministro da Saúde autorizou o Eng. Pedroso de Lima, a recomeçar as negociações do ACT para os Hospitais SA (ou EPE), gostaríamos de saber oficialmente se com a mudança de estatuto dos Hospitais SA para EPE não se deveria iniciar um novo processo negocial? E, em termos de proposta de ACT, o Ministério/Governo, subscreve a proposta do Governo anterior ou irá apresentar uma nova proposta?

 

6O CN da FNAM, reafirmou na carta enviada ao Ministro, toda a disponibilidade para encetar o diálogo necessário à prossecução dos objectivos de empreender a reforma da saúde contemplada no programa do Governo, ficando assim, a aguardar a marcação urgente de uma audiência com o objectivo de analisar estas questões prementes e actuais.

 

            7 – Foi ainda tomada a decisão de eleger o mês de Novembro (já mês da Qualidade) também mês das “Carreiras Médicas”, organizando para esse efeito vários debates sobre o futuro das Carreiras Médicas, culminando em Novembro com a realização de três Conferências Sindicais, abordando cada uma o tema da Carreira Médica de Medicina Geral e Familiar (Lisboa), Saúde Pública (Coimbra) e Hospitalar (Porto).

 

8 - Além do desenvolvimento destas iniciativas, foi ainda aprovado a organização de uma Conferência Sindical (a realizar em Lisboa, Coimbra e Porto) sobre “Gestão Hospitalar”, onde serão discutidas por personalidades idóneas da área da Saúde, as questões da Função Agência e Contratualização, os Centros de Responsabilidade Integrados (CRI), e o Sistema de Desempenho e de Incentivos.

 

 

 

Coimbra, 17 de Maio de 2005                     O Conselho Nacional da FNAM

 
 
 

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Revista dos Médicos - Jan-Set/03
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