MINISTRO DA
SAÚDE RECRUTA MÉDICOS DE FAMÍLIA NO ESTRANGEIRO ESQUECENDO MEDIDAS URGENTES
PARA ATRAIR RECURSOS HUMANOS DE QUALIDADE PARA OS CENTROS DE SAÚDE
19 de Abril de 2005
Numa altura em que os médicos de família portugueses
enfrentam sérios problemas de precariedade e falta de incentivos, o Ministro
da Saúde veio afirmar, de acordo com notícias veiculadas pela Comunicação
Social, que tenciona colocar anúncios no estrangeiro de forma a “resolver a
falta de clínicos nos centros de saúde”, uma solução que a FNAM até
aceitaria (se a qualidade profissional fosse salvaguardada, sendo exigido,
no mínimo, um título de especialista e o domínio falado e escrito da língua
portuguesa) caso já tivessem sido gastas as alternativas que existem a nível
interno, ou seja, solidificar primeiro os alicerces da rede de centros de
saúde.
Para tal, já deveriam ter sido criadas condições efectivas de
fixação de jovens especialistas em MGF em locais carenciados, previamente
identificados. Não se pode é aceitar que esses médicos se encontrem
contratados precariamente andando a saltar de Centro de Saúde em Centro de
Saúde levando mesmo muitos deles a abandonar a carreira de MGF e a optarem
por outra especialidade. Recorde-se que os médicos que no ano transacto e em
Fevereiro último fizeram exame da especialidade, se encontram contratados
precariamente e não sabem ainda onde irão ser colocados, à semelhança dos
colegas que se encontram no internato. Nesse sentido, seria necessário que o
Ministério da Saúde possibilitasse o prolongamento imediato do vínculo
contratual com o SNS até ao provimento, provimento esse efectuado em centros
de saúde carenciados em MGF, além de no imediato possibilitar provimentos
céleres, nomeadamente com a realização de concursos externos logo após as
épocas de exames de saída da especialidade (Fevereiro e Julho)
É necessário lembrar também que os Cuidados de Saúde
Primários não se podem apenas centrar nos médicos, já que o trabalho é, cada
vez mais, um trabalho de equipas multi-profissionais, organizadas em
Unidades de Saúde Familiares (USF´s), onde se incluem obrigatoriamente
várias profissões. Por isso, não percebemos porque continuam por preencher
as vagas de psicólogos clínicos, nutricionistas, técnicos de serviço social,
entre outros, na quase totalidade dos centros de saúde do país e, por sua
vez, se encontram no desemprego um número substancial destes licenciados.
Refira-se também a excessiva burocratização a que o médico de
MGF está sujeito na sua acção, o que leva a que grande parte do seu tempo de
trabalho seja gasto a preencher papeis.
A FNAM demonstra total abertura e disponibilidade para
colaborar activamente com esta equipa ministerial no sentido da resolução
efectiva deste problema há muito identificado.