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FEDERAÇÃO NACIONAL
DOS MÉDICOS
CONFERÊNCIA SINDICAL
QUE
REFORMA PARA A SAÚDE?
2 de Abril de
2005 - HOTEL ROMA (Lisboa)

O temporal que sábado se abateu
sobre Lisboa não se estendeu ao ambiente que se
viveu durante a Conferência Sindical da FNAM, onde a
exposição e debate das ideias reivindicativas para o
futuro decorreu de forma tranquila e produtiva.
Após a Sessão de Abertura, a
cargo de Mário Jorge Neves, Presidente do SMZS,
abordaram-se as questões relativas à carreira de MGF,
com João Rodrigues, Presidente do SMZC, a defender a
passagem a definitivo do RRE ainda no presente ano,
baseado nos resultados alcançados por este sistema
nas várias avaliações a que foi submetido. A
intervenção do médico de família centrou-se na ideia
da idealização de “um programa para a acção”, com a
necessidade imediata de revogar o Decreto-Lei n.º
60/2003 e criar nova legislação que permita uma
reorganização dos centros de saúde centrada em
Unidades Operativas (USF, USP, etc) baseadas na
contratualização dos serviços.
A carreira de Saúde Pública,
apesar de ser a que menos profissionais conta no
país – cerca de 600 e com cada vez menos novos
médicos -, demonstrou nesta conferência a sua
vitalidade, com vários médicos a colocarem o dedo
nas feridas existentes e que conduziram à sua “desprestígiação”.
Arnaldo Araújo, Delegado Regional de Saúde do Porto
considerou que os médicos de Saúde Pública estão
“desmotivados e mal pagos” e pediu à tutela “medidas
políticas para chamar mais médicos” a abraçar a
carreira. O Médico, dirigente do SMN, lamentou ainda
que os Centros Regionais de Saúde Pública não
possuam “autoridade jurídica” não sendo mais do que
“órgãos consultores das ARS´s”, defendendo ainda a
“pluridisciplinaridade das equipas”. Foi também
lançada a ideia de discutir a hipótese de um futuro
Instituto de Saúde Pública.
Seguiu-se a Carreira
Hospitalar, onde se procuraram delinear perspectivas
para a sua dinamização. Este painel esteve a cargo
de Jorge Almeida (dirigente do SMN e médico
cardiologista) que procedeu à apresentação de um
documento discutido no seio da FNAM, em várias
reuniões, onde se procura demonstrar a necessidade
de reformular o DL n.º 73/90 e criar legislação que
possa vigorar em qualquer tipo de Hospital (SA ou
EPE, PPP, SPA).
No período da tarde, espaço
para os convidados. Começou Constantino Sakellarides,
abordando a questão da “modernização da gestão
pública dos serviços de saúde”, afirmando ser
urgente a transformação desses serviços mas
admitindo a dificuldade em consegui-lo”.
Em relação às agências de
contratualização, e dando como exemplo a Inglaterra,
o Presidente do Observatório da saúde estimou em 15
o número de que seriam necessárias str criadas em
Portugal para atingir o nível registado naquele
país.
A motivação foi outro factor
abordado pelo orador, que distinguiu empresário
(motivado para criar riqueza) de empreendedor
público (motivado para prestar serviço), dando como
exemplos destes últimos Arnaldo Sampaio e João dos
Santos.
Seguiu-se a intervenção de
Pedro ferreira, docente da Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra, o qual apresentou um estudo
recente dando conta do grau de satisfação dos
utentes para com os Centros de Saúde, onde ficou
demonstrado que existe uma maior satisfação dos
utentes para com o atendimento do Médico de Família
do que com a organização dos serviços. |