Da desilusão à
incerteza
Com a chegada ao governo do
Partido Socialista, liderado por José Sócrates, diz-se
teoricamente adeus a uma política na área da Saúde “aniquiladora”
do que de bom o Sistema Nacional de Saúde (SNS) possui,
razão pela qual, frequentemente teve da nossa parte total
discordância.
Os governos de coligação PSD/PP
procuraram, em diversas matérias, sem ter em conta o lado
humano e social, materializar a Saúde e, nestas eleições,
pagou caro a “reforma” de transformar o direito
à saúde num qualquer bem de consumo, sujeito às leis
da oferta e da procura.
O SMZC espera que o
novo Ministro, Correia de Campos, “ministro com
sabor a déjá-vu”, mantenha as ideias lançadas
no Programa Eleitoral e Bases Programáticas para a Saúde
do Partido Socialista, porque promessas, leva-as o vento,
e estão os médicos e os utentes fartos!
Por isso, é necessário que
não volte a acontecer o que sucedeu nos últimos Governos
do PS, 1996 a 2001, em que os três ministros da saúde,
Maria de Belém, Manuela Arcanjo e Correia de Campos,
apresentaram políticas completamente diferentes entre
elas. Por exemplo, futuro ministro Correia de Campos,
em nove meses de exercício de funções, não aplicou
qualquer medida do programa do seu Governo (ex.
Agências de Contratualização, implementação dos CRI, CS de
3ª. Geração, RRE, etc), tendo inclusive, contrariado
esse mesmo programa governamental em aspectos fundamentais
da sua filosofia política, como por exemplo, aprovação do
diploma que eliminou a eleição dos directores-clínicos e
enfermeiros-directores, não cumprimento da aplicação do
decreto-lei nº92/2001 (pagamento do trabalho
extraordinário), início da transformação dos hospitais em
empresas públicas de direito privado, sucessivos conflitos
com os profissionais da saúde, nomeadamente com os
médicos, além de ter desrespeitado os princípios
constitucionais relativos aos direitos de participação e
negociação das organizações sindicais.
Saúde que
futuro?
O SMZC
considera que o
mais importante é mesmo o programa do Governo
e a capacidade de o executar. Nesse sentido, recorda-se
que o programa eleitoral vencedor das
eleições de 20 de Fevereiro (“Mais e Melhor Saúde”),
e as afirmações do Eng.º José Sócrates na campanha
eleitoral, se resumem à necessidade de centrar a reforma
da Saúde nos Cuidados de Saúde Primários (“pilar
central do sistema de saúde” começando pela “reestruturação
dos CS criando Unidades de Saúde Familiares” e “Revogação
do DLnº60/2003, Centros de Saúde”) e não nos
Hospitais, transformar os actuais 31 hospitais SA em
Entidades Públicas Empresariais e ter um “SNS bem
gerido” com uma gestão descentralizada e participada.
Nesse sentido, o SMZC
espera que a próxima equipa ministerial deixe de nomear
por critérios partidários e clientelares, começando a
exigir um perfil de dirigente que saiba fazer apelo a uma
gestão não apenas racional, mas intuitiva, participada e
emocional, caracterizada pela capacidade para identificar
problemas, desafios e oportunidades, avaliar situações,
inovar técnica e socialmente nas relações com a comunidade
e no interior das unidades de saúde.
Para finalizar, o SMZC
deseja
as maiores felicidades ao
novo ministro da saúde, considerando
que o mais importante será o programa do Governo, as
políticas para o sector da saúde e a capacidade do
Executivo para definir e interpretar as prioridades para
melhorar o estado do País.
Coimbra, 06 de Março de 2005
O Presidente da
DIRECÇÃO DO SMZC
(João Rodrigues, Dr.)*
*Contacto: 918592180