Nota à Imprensa - 5 de Maio de 2005
MAPA DE VAGAS PARA O INTERNATO
MÉDICO “ESQUECE” A CLÍNICA GERAL E A SAÚDE PÚBLICA
Centros de Saúde ligam o 112
Após a publicação do mapa de vagas para o Internato
Médico publicado em Diário da República de 29 de Abril (anexo) os
Centros de Saúde nunca se devem ter sentido tão tentados a ligar o
número de emergência. É que 112 (cento e doze), num total de 760, é o
número de vagas abertas para a Clínica Geral. Ou seja, 14,7 % por cento
do total, percentagem que baixa para impensáveis 4,86 % (37 vagas)
quando se fala de Saúde Pública, números manifestamente insuficientes
face às necessidades reais do país e que voltam a prolongar o problema
crónico da falta de médicos de família em Portugal.
Assim, à falta de médicos de família desde há muito tempo
referenciada, tendo por base uma sucessão de erros que comprometem
vários governos, agravados pela aproximação da idade de reforma da
maioria dos médicos de família, o actual mapa de vagas, ao invés de
começar a contribuir para a inversão deste cenário, acaba por acentuar a
tendência de desertificação dos Centros de Saúde. Ou talvez o Sr.
Ministro prefira preencher essas vagas com recrutamentos no estrangeiro,
ao mesmo tempo que nega aos jovens médicos portugueses a possibilidade
de se tornarem médicos de família.
E quanto á carreira de saúde pública, sendo conhecida a
situação de se estar a tornar uma carreira em vias de extinção, como
explicar que seja atribuído um número insignificante de vagas?
Com esta distribuição do mapa de vagas, a FNAM considera
que este ministério perdeu a oportunidade para iniciar um novo ciclo de
reestruturação dos Cuidados de Saúde Primários, assim como deu um passo
atrás na luta contra a agonia quantitativa em que se encontra a MGF (
medicina geral e familiar) em Portugal, indo inclusive contra o próprio
programa do Governo, já que desta forma não será possível “reforçar os
incentivos e a formação dos médicos de família, atraindo jovens
candidatos”, assim como não resolverá “as previsíveis necessidades de
profissionais da saúde, em termos de curto, médio e longo prazo”.
Afinal, qual é a importância do Programa do Governo?
Como podem ser interpretadas as declarações públicas do
ministro da saúde sobre os anúncios a publicar no estrangeiro para
recrutar médicos?
A FNAM considera indispensável que este mapa de vagas
seja imediatamente reformulado, tornando-o compatível com as
necessidades de recursos nestas carreiras e com os compromissos
estipulados no Programa de Governo.
5/5/2005
A Comissão
Executiva da FNAM