

NOTA À IMPRENSA
13 de Setembro de 2008
O Conselho Nacional da FNAM, reunido em Coimbra a 13
de Setembro de 2008, considerou indispensável divulgar as seguintes
questões fundamentais no âmbito da actual situação sindical:
1 - A Lei n.º 12-A/2008, publicada em 27 de Fevereiro,
estabeleceu o prazo de 180 dias para ser efectuada a negociação das
carreiras especiais da Administração Pública.
De acordo com este prazo, a negociação das carreiras
médicas deveria ter sido concluída no final do mês passado.
2 - No dia 10 de Setembro de 2008, realizou-se uma
reunião entre a FNAM e o Ministério da Saúde para abordar o processo
negocial, tendo-se verificado que, da parte ministerial, não foi
apresentado qualquer documento destinado a proceder à abertura formal
das negociações.
A única perspectiva traçada pela delegação ministerial
foi a manifestação de intenção de desenvolver esforços para procurar
apresentar um documento até ao final deste mês.
É preocupante este arrastamento injustificável da
abertura das negociações que é potenciador de conflitos reivindicativos,
tendo até em conta que a FNAM, há vários meses, já entregou ao
Ministério da Saúde as suas propostas negociais.
3 - A actual dinâmica de desenvolvimento e
implementação da reforma dos Cuidados de Saúde Primários suscita muitas
interrogações e apreensões, dado que estamos perante factos concretos e
objectivos que demonstram uma evidente paralisia susceptível de colocar
em causa todo o processo.
É inaceitável que, face aos próprios compromissos
programáticos do governo, se esteja a assistir a uma situação desta
gravidade.
Torna-se crucial e urgente que o Ministério da Saúde
assuma uma clara posição face ao desenvolvimento da reforma e esclareça
quais os seus propósitos na alteração da situação criada.
4 - As notícias ultimamente surgidas na comunicação
social sobre a profusão de empresas prestadoras de serviços médicos em
múltiplos hospitais e o esbanjamento de verbas nos pagamentos que lhes
são feitos, constituem um elemento de extrema preocupação e que urge
solucionar.
A FNAM, ao longo dos últimos cinco anos, denunciou,
por diversas vezes, o contúdo perverso desta "contabilidade criativa"
que se reflecte no agravamento dos custos de funcionamento dos
estabelecimentos de saúde e na degradação da qualidade dos
cuidados de saúde prestados, bem como na criação de escandalosas
disparidades de pagamento de trabalho médico.
Torna-se urgente adoptar medidas que afastem, de vez,
dos serviços públicos de saúde este tipo de negócios, que se traduzem,
também, num instrumento de desarticulação e esvaziamento do SNS.
5 - Face à actual situação global do sector da saúde e
aos desafios vitais que se colocam aos médicos, a FNAM reafirma o seu
empenhamento na necessária convergância de esforços reivindicativos e
negociais na defesa das carreiras médicas e do papel insubstituível do
SNS.
Nesse sentido, a FNAM desenvolverá todos os esforços e
encontrará os meios de intervenção adequados e em tempo útil para
salvaguardar esses objectivos.
O Conselho Nacional da FNAM
Coimbra, 13/09/2008