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FEDERAÇÃO NACIONAL DOS
MÉDICOS
COMUNICADO À IMPRENSA
As novas taxas
moderadoras do Ministério da Saúde
As recentes declarações públicas do
Ministro da Saúde sobre a possibilidade de serem
introduzidas novas taxas moderadoras nos internamentos e
cirurgias ambulatórias como forma de “moderar o acesso”,
assumem uma enorme gravidade e configuram uma clara
perspectiva política de, gradualmente, colocar os cuidados
de saúde sob pagamento integral por parte dos cidadãos.
Como é sabido, o relatório mundial da
OMS, divulgado em 2001, já referia que em Portugal os
cidadãos pagam directamente do seu bolso 40,9% das suas
despesas de saúde.
Trata-se da situação mais gravosa a
nível da U.E. e, curiosamente, num dos países com menor
nível de rendimentos.
Nestes últimos anos, fruto de uma
política social cada vez mais restritiva e penalizadora,
esta tendência de aumento dos pagamentos directos tem vindo
a agravar-se.
Ao contrário das pretensas
justificações “oficiais” para a aplicação de taxas
moderadoras, esta medida tem demonstrado em vários países,
incluindo o nosso, que não promove qualquer moderação no
acesso aos cuidados de saúde, antes constituindo uma
barreira discriminatória para os sectores mais carenciados
da população e um imposto adicional para a generalidade dos
cidadãos contribuintes.
Os internamentos e a cirurgia
ambulatória resultam da prévia avaliação médica dos doentes,
demonstrando claramente que o seu estado de saúde justificou
o recurso aos serviços de saúde e não se tratou de uma
utilização arbitrária destes serviços.
A argumentação de que as taxas a
aplicar a estes casos pretendem “moderar o acesso”
contem um significado de grande
crueldade social e de uma total desumanidade.
O que significa “moderar o acesso”
aos internamentos e à cirurgia ambulatória?
Significa que, perante a decisão
médica de recorrer a esses serviços para resolver os
problemas de saúde diagnosticados, os cidadãos terão de
avaliar previamente as suas disponibilidades económicas?
Será que qualquer cidadão gostará de
abusar de internamentos e de intervenções cirúrgicas,
havendo a necessidade de lhe aplicar taxas para moderar
estes seus ímpetos masoquistas?
A FNAM considera deploráveis estas
afirmações do Ministro da Saúde e transmite a sua posição de
repúdio pelo anunciado alargamento das taxas moderadoras.
Ao contrário da versão ministerial,
esta medida não visa qualquer moderação na utilização de
serviços, mas aumentar ainda mais a comparticipação dos
cidadãos nas despesas de saúde como contributo para a
obsessão do controlo do défice orçamental.
A FNAM considera ainda, que se torna
indispensável desenvolver empenhados esforços na criação de
um amplo movimento da opinião pública para contestar estas
medidas e promover a defesa dos princípios constitucionais
do S.N.S..
21/9/2006
A Comissão Executiva da FNAM
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