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COMUNICADO À IMPRENSA - 21 de Fevereiro de 2008
ARS do Centro ressuscita SAP travestidos de “Consulta
Aberta”
Evolução da Reforma dos Centros de Saúde posta em causa
Mais de um ano volvido sobre o óbito passado pelo
ex-ministro Correia de Campos aos SAP, também ele
entretanto “falecido” enquanto Ministro, eis que a ARS
do Centro decide, acolitada no silêncio dos corredores,
tentar o “milagre da reencarnação” preparando-se para,
já no dia 1 de Março (in Publico, 19.02.08), no Distrito
de Aveiro, os trazer de novo ao mundo, agora sob o
alegado nome de “Consulta Aberta”.
Contrariando todas as orientações políticas e técnicas,
incluindo as da MCSP (www.mcsp.min-saude.pt),
a legislação em vigor (DL nº44/2007) e renegando as suas
responsabilidades e deveres na reforma em curso dos
Cuidados de Saúde Primários (CSP).
No fundo, um recuo da ARS do Centro, exactamente os
mesmos actores do seu encerramento, tentando camuflar,
através de uma mudança de nome e com alguns “rebuçados”
à mistura, uma desorientação gestionária e política que
teima em manter-se na Região Centro.
Situações que seriam evitáveis, caso fossem, nas alturas
devidas, dados ouvidos aos parceiros sociais.
O SMZC/FNAM alerta que a ARS do Centro, ao invés
de intervir a montante, na reestruturação efectiva dos
Centros de Saúde (CS), com a devida preparação para a
criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) e
suas unidades prestadores de cuidados, emerge na
linha do facilitismo e da resposta imediata, a qualquer
preço.
De salientar que este tipo de serviço – o SAP ou o seu
embrulho na agora alegada “consulta aberta” - retira
profissionais da sua actividade de pronta assistência
aos cidadãos inscritos nas suas listas, prejudicando o
normal funcionamento e a imagem dos CS e dos seus
profissionais, contribuindo para se continuar a
alimentar a confusão entre assistência “urgente”
e conceitos tão diversos como “acesso”, “intersubstituição
em equipa” e “atendimento em horas incómodas”
nos CSP.
O SMZC/FNAM tem desenvolvido uma importante acção
de defesa da reforma dos serviços públicos de saúde com
qualidade, em particular dos CSP, mas na perspectiva
da sua dinamização e integral rentabilização de todos os
recursos instalados.
Tem repetidamente alertado para a carência de médicos
de família e para a inadiável necessidade de se
proceder a um maior investimento público neste sector da
prestação dos cuidados de saúde.
A criação das USF, por si só, e ao contrário das
afirmações ministeriais, não resolvem, nem podem
resolver, a carência de efectivos de médicos de
família.
Tal como o SMZC/FNAN já alertaram, publicamente, a
reestruturação da rede das urgências tem de ser
efectuada a par e passo com o desenvolvimento e
implementação, por um lado, da reforma dos CSP,
nomeadamente:
o
formação de mais médicos de família
o
colocação de outras profissões da saúde nos CSP
o
criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde com a
extinção das Sub-Regiões de Saúde e a reconfiguração das
ARS e a implementação de um adequado sistema de
informação.
Por outro lado,
o
a abertura de Serviços Urgência Básica e a
requalificação das Médico- Cirúrgicas e das
Polivalentes;
o
Forte investimento na rede de recursos pré-hospitalares.
Ao contrário das medidas agora preconizadas pela ARS do
Centro,
a questão fundamental que se torna indispensável
assegurar é o atendimento nos Centros de Saúde centrado
na actividade regular, programada e personalizada de
cada médico de família e de cada equipa de saúde
(unidade funcional do CS), a resposta eficaz às
situações de urgência e de emergência assente numa
robusta rede de urgência e construir, de acordo com as
especificidades de cada local, respostas integradas para
o atendimento em “horas incómodas” nos CSP.
A não serem observadas estas questões, está colocada em
causa a reforma dos CSP e a requalificação dos CS.
O SMZC/FNAM não tem dúvidas de que a ARS do
Centro, a pretexto de interesses não confessados está a
minar a evolução da reforma dos CS ao permitir a criação
de SAP ou afins sob o nome abusivo de “consulta aberta”.
O SMZC/FNAM desenvolverá todos os esforços para
impedir a implementação de medidas ilegais e que
configurem a subversão do processo de reforma dos CSP.
Coimbra, 21 de Fevereiro de 2008
A Direcção do SMZC/FNAM