NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL
BALANÇO DO 1º DIA DE
GREVE DOS MÉDICOS DOS CENTROS DE SAÚDE
A GRANDE MAIORIA DOS MÉDICOS
REPÚDIA TOTALMENTE A POLÍTICA DO MINISTÉRIO
DA SAÚDE PARA OS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS
Após a realização deste 1º dia de greve
nacional de médicos de Centros de Saúde, a FNAM procedeu
ao respectivo balanço, tendo considerado os seguintes factos:
1 - O elevado nível de adesão global à
greve por parte dos médicos (90 a 95%) demonstrou o amplo descontentamento
existente e uma clara rejeição desta política governamental,
virada essencialmente para a satisfação dos interesses de grandes
grupos económicos.
2 - Relativamente à Zona Norte do País nas
principais zonas urbanas oscilou entre os 90 e 100%.
Na Zona Centro do País, o apuramento integral dos
dados existentes demonstra que a adesão média se situou entre
85 e 90%, com margem de erro de 5% .
Importa sublinhar, que a adesão à greve nos Centros
de Saúde constitui uma das percentagens mais elevadas de sempre,
por exemplo na cidade de Coimbra houve uma adesão de 92% dos Médicos
de Família e de médicos de Saúde Pública.
Na Zona Sul do País a nível da grande Lisboa a adesão
cifrou-se entre 90 a 95%, atingindo em grande número de Centros de Saúde
100%, na periferia atingiu valores muito próximos destes.
3 - O Ministério da Saúde assumiu, mais uma vez,
um comportamento político deplorável, ilustrativo da sua incapacidade
e desorientação em lidar com o inquestionável impacto da
greve:
3.1. - Divulgou uma ridícula percentagem de adesão
à greve (50 a 70%) em que apresenta um intervalo de erro de 20%! Será
que o "gestor" máximo do Ministério da Saúde
não tem instrumentos e capacidade que lhe permitam reduzir o intervalo
de erro?
3.2. - Para melhor disfarçar os aspectos negativos deste
Decreto-Lei ("Rede de CSP"), o Ministério da Saúde tem
tentado mostrar-se preocupado com os doentes e utentes dos Centros de Saúde.
No entanto, importa referir que o diploma britânico que iniciou a privatização
dos serviços públicos de saúde neste país, implementado
em 1989, tinha como título "Trabalhando para os doentes". Os
resultados práticos deste "trabalho" estão hoje bem
á vista, com 1.500.000 cidadãos britânicos com listas de
espera, enquanto em 1989 era 200.000.
3.3. - Por sua vez, faz afirmações totalmente
falsas, ao tentar transmitir que esta legislação pretende simplesmente
melhorar a acessibilidade e dar um Médico de Família a cada Português.
Além de salientar que "nenhum dos parceiros foi capaz de
dar alternativas". O que efectivamente não corresponde à
verdade. Os sindicatos da FNAM têm feito críticas ao modo como
tem sido gerida a política dos CS e fizeram propostas concretas para
melhorar a gestão dos CS e garantir maior acessibilidade e qualidade
dos cuidados.
3.4. - Por sua vez, omite o previsível desinvestimento
que vai ser feito nos Cuidados de Saúde Primários, veja-se
a possível entrega da gestão dos CS a grupos económicos
por mera assinatura ministerial, sem qualquer tipo de concurso ou critérios
conhecidos, em que o objectivo primordial é limitar as despesas. À
custa de quê? Seguramente que à custa do controlo que os novos
"capatazes" vão fazer sobre os orçamentos clínicos
dos médicos de família e à custa da saúde dos portugueses,
que vão sentir restrições na medicação e
nos exames auxiliares de diagnóstico (análises, Rx, etc.).
Além do aumento das taxas moderadoras que o Governo já
informou.
4 - Será bom relembrar que esta greve desencadeia-se pelo
facto do Governo (Ministro da Saúde) ignorar de forma ostensiva as propostas
dos parceiros sociais e o achincalhamento daquilo que é a especialidade
de medicina geral e familiar, ignorando o trabalho e os resultados conseguidos
pelos Cuidados de Saúde Primários em Portugal nestes últimos
25 anos. Só por ignorância ou má fé, pode o Ministro
da Saúde dizer que tanto faz ter um médico indiferenciado, sem
formação, como um médico especialista em Medicina Geral
e Familiar.
A FNAM continuará a desenvolver todos os esforços
para denunciar e derrotar estas medias governamentais, nesse sentido reforça
a necessidade de continuar a enorme adesão à greve NACIONAL
de médicos dos centros de saúde, nos próximos dias
30 e 31 de Janeir
Coimbra, 29 de Janeiro de 2003
A Comissão Executiva da FNAM