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COMUNICADO
A Política
escandalosa do Ministério da Saúde
O Conselho Nacional
da FNAM, reunido em Coimbra, analisou a actual situação no sector
da saúde e aprovou as seguintes conclusões:
- A evolução da
acção política do Ministério da Saúde está
a confirmar plenamente as denúncias que a FNAM tem vindo a fazer quanto
aos seus verdadeiros objectivos. Torna-se cada vez mais claro, que toda a
sua política está subordinada ao objectivo central de privatizar
os serviços públicos de saúde e de proceder à
sua entrega a vários grupos económicos, cumprindo na integra
as orientações da Organização Mundial do Comércio
de que " a saúde é um bem de consumo".
O Ministro da
Saúde afirmou já publicamente a sua inspiração
no modelo britânico de privatização, o que facilmente
se pode comprovar pela prática legislativa em curso.
- O Ministro da Saúde,
fazendo da demagogia política o seu padrão fundamental de intervenção,
tem efectuado múltiplas declarações públicas negando
quaisquer propósitos privatizadores e de desorçamentação
dos gastos na saúde, quando se torna evidente que estamos perante uma
conhecida manobra contabilística visando o cumprimento artificial dos
limites da dívida pública impostos pela U.E..
Por outro lado,
é curioso verificar a total coincidência de posições
do Ministro da Saúde e de um dos principais administradores do grupo
económico seu ex-patrão, através das profusas entrevistas
deste último.
Ainda recentemente,
este administrador veio publicamente defender a criação de uma
estrutura oficial de fiscalização e acompanhamento dos novos
hospitais e duas semanas depois o Ministro da Saúde anunciou a sua
decisão de a constituir.
Igualmente elucidativa,
é a decisão do Ministro da Saúde em contratar a empresa
multinacional de consultores Pricewaterhouse, anunciada num recente debate
na Assembleia da República.
Esta empresa
é a que possui maior número de projectos de privatização
na Grã-Bretanha e há cerca de 2 anos definia-se a si própria
como "leader do mercado em project finance (P.F.I.) e privatizações",
vangloriando-se ainda que "procedeu a mais privatizações
do que qualquer outro consultor financeiro, desde o da indústria do
aço aos transportes públicos, saúde e educação".
- A nomeação de
um gestor para Ministro da Saúde foi apresentada como a necessidade
de conferir a este sector uma gestão criteriosa e competente, que permitisse
evitar os constantes défices orçamentais.
Segundo diversas
notícias publicadas, após 9 meses de exercício de funções
ministeriais, a "derrapagem" orçamental terá atingido
um novo recorde.
No que se refere
à recuperação das listas de espera, apresentada como
uma das prioridades deste ministério, todos os dados referidos em notícias
apontam para o facto de se tratar do período em que foram efectuadas
menos intervenções cirúrgicas.
Deste modo,
a actuação do actual Ministro da Saúde constitui o exemplo
mais desastroso no desempenho desta pasta governamental, onde só o
desenvolvimento acelerado do processo privatizador a favor de grupos económicos
suscita a sua atenção e empenho políticos.
- A criação de
"hospitais S.A." e a legislação sobre os centros de
saúde, são duas medidas estreitamente articuladas com vista
à integral privatização dos serviços públicos
de saúde.
A recente nomeação
ministerial das administrações dos "hospitais S.A."
com o recurso, na esmagadora maioria dos casos, a pessoas sem qualquer conhecimento
do sector da saúde, indicia que se trata de orgãos transitórios
até à posterior entrega definitiva destas unidades hospitalares
a grupos privados, através da sucessiva alienação do
respectivo capital social como já aconteceu com diversas grandes empresas
públicas do nosso país.
De tal forma
assim é, que a criação dos "hospitais S.A."
foi politicamente justificada como o mecanismo de garantia de um desempenho
mais eficiente destas unidades e paradoxalmente foram escolhidos gestores
sem qualquer formação nesta área.
Reconhecendo
a total falta de preparação destes "gestores", adequada
à gestão de uma unidade de saúde, o Ministério
da Saúde irá fazer 4 semanas de formação intensiva,
como se isso habilitasse alguém para funções de tamanha
responsabilidade.
Acresce o facto
que estes "gestores" irão auferir vencimentos substancialmente
mais elevados que os actualmente praticados, sendo oportuna a nomeação
que se verifica dos amigos políticos para tais cargos.
Com gestores
sem conhecimento e formação específica em gestão
de unidades hospitalares, quais os resultados previsíveis do seu desempenho?
A resposta parece-nos
demasiado óbvia.
Quanto aos centros
de saúde, o diploma aprovado em Conselho de Ministros visa substituir
os médicos especialistas em medicina geral e familiar e substituí-los
por médicos indiferenciados e sem formação especializada,
no quadro da sua entrega á exploração por grupos privados.
Neste diploma
estão previstos mais de 1000 lugares de nomeação política
com ordenados muito substancialmente superiores aos actuais.
É um
verdadeiro escândalo nacional, quando é apregoada uma política
de contenção orçamental.
- À semelhança
do que acontece em países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha,
estas medidas privatizadoras irão ter, a curto e médio prazo,
consequências gravíssimas para os cidadãos portugueses.
O acesso aos cuidados de saúde irá depender da capacidade económica
de cada cidadão e da possibilidade em adquirir seguros privados.
Esta é
uma conclusão objectiva, sem qualquer base especulativa, que se encontra
amplamente fundamentada na dramática experiência dos países
que optaram por esta via de políticas anti-sociais.
- A recente divulgação das
medidas em preparação para anular as progressões e promoções
nas carreiras profissionais da Administração Pública
constitui mais um exemplo de desrespeito pelos direitos destes trabalhadores
consagrados na lei.
Chorudos salários
para "os comissários políticos", negócios lucrativos
com privatizações para os grupos económicos e uma política
esclavagista para quem vive do seu salário por conta de outrém.
Na actual e tão
difundida lógica governamental " do utilizador- pagador ",
não é difícil prever que estarão para breve as medidas
de pagamento directo dos cuidados de saúde, além da carga fiscal
anual.
A FNAM reafirma
o seu total empenhamento em adoptar as adequadas formas de luta contra esta
política governamental, bem como em contribuir activamente para a
concretização
de plataformas de unidade e convergência no seio dos médicos e
outros grupos profissionais da Administração Pública.
Coimbra, 13 /01/2003
O Conselho Nacional
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