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FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

 

PROGRAMA DE ACÇÃO
(Triénio de 2007/2010)

 

O 6.º Congresso da FNAM realiza-se numa fase da vida política que suscita grandes apreensões quanto ao futuro do direito constitucional à saúde e do seu instrumento concretizador, o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Desde o anterior congresso temos assistido ao desenvolvimento de intensos esforços com o claro objectivo de desarticular e destruir os serviços públicos de saúde, através de tentativas de aplicação de conhecidos modelos em prática noutros países e cujas dramáticas consequências sociais e económicas são bem visíveis.

O anterior ministro Dr. Luís Filipe Pereira assumiu uma acção política deliberada e sem subterfúgios na ofensiva privatizadora contra o SNS, fazendo tentativas directas de aplicação desses modelos a nível dos Centros de Saúde e a nível dos hospitais com o estatuto S.A..

A ampla contestação que suscitou a sua acção, inviabilizou o aprofundamento dessa ofensiva e condenou-a ao fracasso. Verificou-se até a particularidade de algumas destacadas pessoas do seu próprio partido terem participado nessa contestação.

A análise global da acção desse ex-ministro mostra que a política por ele seguida se revelou um verdadeiro desastre em todos os domínios do sector da saúde.

Mesmo com as sucessivas medidas de contabilidade criativa, não conseguiu esconder o enorme défice orçamental do sector nem os acentuados prejuízos da gestão SA nos hospitais.

O retorno do actual ministro, Prof. Correia de Campos, não suscitou, sequer, qualquer expectativa de inversão da situação existente, dado que estavam ainda bem presentes a sua anterior e efémera passagem pelo ministério e os sucessivos elogios à política do seu antecessor em artigos de opinião publicados em jornais.

Aquilo a que temos assistido é a uma relação de tensão entre a obsessão ideológica neoliberal da política para o sector da saúde e a incontornável realidade social.

Apesar desta situação, têm sido múltiplas as tentativas de implementar medidas que não estão previstas no próprio programa do Governo, o que tem determinado diversos casos de desmentidos do ministro às suas próprias afirmações anteriores.

Para procurar disfarçar politicamente os objectivos reais de muitas das suas medidas atentatórias do SNS, o actual ministro tem criado polémicas e incentivado situações conflituais por via de inflamadas declarações públicas.

Na evolução da situação na saúde dos últimos meses verifica-se, de forma cada vez mais evidente, uma paralisação da capacidade efectiva de resolução dos problemas existentes por parte das várias estruturas ministeriais.

 

Na acção política que vem desenvolvendo, estão presentes múltiplos aspectos reveladores da sua clara animosidade contra o SNS e as carreiras médicas, nomeadamente:

· Encerramento arbitrário de serviços públicos de saúde, criando zonas sem cobertura assistencial que facilitam a abertura de estabelecimentos privados pertencentes a grandes grupos económicos.

· Total duplicidade de critérios de exigência para o funcionamento dos serviços públicos e privados.

O caso das maternidades é um exemplo muito elucidativo.

 

· Introdução do co-financiamento na saúde com a criação de novas taxas moderadoras e o agravamento dos montantes das existentes.

· Manutenção e desenvolvimento das conhecidas parcerias público-privadas.

· Manutenção do modelo falido das EPEs que continua a acumular dívidas.

· Aumento progressivo da descomparticipação, parcial ou total, dos medicamentos.

· Tentativas para transferir a tutela dos médicos de saúde pública para as autarquias, que representam um retrocesso para um modelo sanitarista do século XIX e significariam uma preocupante eliminação da independência técnica destes profissionais.

· Não abertura de concursos para a entrada dos novos médicos especialistas, mesmo na evidência de exaustão de efectivos a nível da generalidade dos serviços, mantendo inúmeros médicos especialistas em CIT, sem nenhum enquadramento de contratação colectiva.

· Proliferação escandalosa de contratações de assessores e consultores a nível dos hospitais e de outras estruturas, sem qualquer justificação funcional e com vencimentos e regalias adicionais exorbitantes comparativamente com os técnicos do sector.

· Aumento sistemático do recurso ao outsourcing, sem qualquer justificação e desprezando a capacidade instalada e os meios técnicos e humanos existentes nos serviços, que se traduz em custos muito acrescidos com os pagamentos ás empresas privadas.

· Utilização do argumento justificativo da falta de médicos para o encerramento das maternidades e urgências, enquanto no último concurso de acesso às especialidades deixou cerca de 200 jovens médicos sem vaga.

· Tentativa ilegal de estabelecimento de um tipo de incompatibilidades tão desejadas pelos grupos económicos privados e tendentes a uma acelerada “desnatação” no SNS.

Por sua vez, o processo de Reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) encontra-se numa fase cujos traços essenciais colocam também legítimas preocupações.

Apesar de uma parte substancial dos médicos de família terem já mostrado a sua disponibilidade e empenhamento num projecto sustentado de mudança para uma melhor acessibilidade aos cuidados de saúde, verifica-se a existência de múltiplos entraves à rápida instalação das Unidades de Saúde Familiares (USF) por parte das várias estruturas do Ministério da Saúde.

O arrastamento desta incapacidade de resposta das referidas estruturas ministeriais irá defraudar legítimas expectativas dos profissionais de saúde envolvidos. Também não se entende, o enorme atraso na aprovação do Decreto-Lei que enquadra as USF e o sistema retributivo especial de todos os profissionais.

No actual momento, em que a reforma dos CSP assume uma importância central na solução de vários problemas com que se debate o Serviço Nacional de Saúde, não é admissível desperdiçar mais esta oportunidade para uma mudança que vá ao encontro das necessidades dos cidadãos.

 

Neste contexto, emerge a tentativa de o Ministério da Saúde apresentar como grande realização o controlo das despesas e o cumprimento das verbas orçamentais.

Trata-se de uma acção não suportada em qualquer evidência e assente numa clara contabilidade criativa, dado que a maior parte dos hospitais, nomeadamente os de maior dimensão, estão abrangidos pelo estatuto EPE e as respectivas contas não entram na despesa pública.

Por outro lado, a descomparticipação alargada dos medicamentos, o co-financiamento, o aumento das taxas moderadoras, o encerramento de serviços e a contínua diminuição dos efectivos de profissionais de saúde, têm possibilitado grandes poupanças de verbas à custa da acessibilidade dos cidadãos aos cuidados de saúde.

A FNAM continua empenhada na defesa de um SNS tal como está estabelecido na Constituição da República Portuguesa e baseado em exigentes critérios de qualidade.

A FNAM continua empenhada na defesa das Carreiras Médicas como instrumento insuperável da garantia da qualidade do exercício profissional e da própria garantia da qualidade dos serviços de saúde.

A FNAM continuará a desenvolver esforços na dinamização de medidas de reestruturação e de reforma dos serviços de saúde que privilegiam a inovação e a definição de novas respostas aos novos problemas surgidos.

 

A FNAM continuará a apostar na via da negociação sindical para concretizar políticas ou acordos de incidência salarial e de condições de trabalho, que beneficiem colectivamente os médicos e contribuam para a reorganização e reestruturação dos serviços de saúde, no sentido de dar resposta aos anseios e aspirações dos cidadãos quando a eles recorrem.

A gravidade do momento actual impõe determinação e realismo reivindicativo, métodos transparentes da intervenção sindical e o desenvolvimento de esforços na criação de plataformas de convergência com as várias estruturas médicas, os sindicatos dos profissionais de saúde, os sindicatos dos restantes profissionais da Administração Pública e todas as estruturas empenhadas na defesa do direito constitucional à saúde e do SNS.

No próximo triénio, a FNAM desenvolverá a sua acção sindical em torno dos seguintes princípios reivindicativos:

I. Objectivos Gerais: Mais Qualidade, Mais Participação, Melhor Emprego, Melhores Remunerações

 

A FNAM reafirma a intenção de continuar a intervir na definição da legislação com incidência na política de saúde, porque não nos situamos somente no papel reivindicativo, mas temos em linha de conta os problemas do País nesta área tão sensível como é, naturalmente, a SAÚDE.

Nesta perspectiva, afirmamos que os médicos não podem continuar a ser os parentes pobres do sistema e que, para que eles possam continuar a cumprir as suas funções com dignidade, eficácia, eficiência e com elevados padrões de qualidade na prestação dos cuidados de saúde às populações, terão de estar criadas as condições estruturais, financeiras e de gestão dos recursos humanos, de acordo com padrões de dignidade e de qualidade europeus.

1. Defesa do Serviço Nacional de Saúde como instrumento de garantia do direito constitucional à saúde.

2. Defesa e melhoria contínua das Carreiras Médicas, adaptando-as à realidade actual da prestação de cuidados de saúde e do emprego médico, preservando a sua autonomia e independência técnico-científica e procedendo à sua aplicação independentemente do tipo de vínculo laboral e do estatuto jurídico da unidade de saúde.

3. Recusa de medidas tendentes à parasitação dos serviços públicos pelo sector privado e da existência de situações de promiscuidade entre sectores prestadores. Nesse sentido, deve existir a definição de uma política que determine uma progressiva delimitação destes sectores.

4. Adequação dos numerus clausus das Faculdades de Medicina às necessidades de médicos do País.

5. Aplicação de uma política de recursos humanos que garanta o acesso de todos os médicos jovens à formação nas especialidades e à sua inserção nas carreiras médicas.

6. Prioridade na redução do grave défice de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar e de Saúde Pública, através de uma correcta planificação dos recursos humanos.

7. Optimização dos recursos humanos e materiais dos serviços públicos de saúde, nomeadamente através da criação de uma carta hospitalar e de uma adequada articulação funcional entre os Centros de Saúde, rede de Cuidados Continuados Integrados, rede de urgência e unidades hospitalares.

8. Defesa de uma nova gestão dos serviços públicos de saúde, transparente, participada e desburocratizada, que cumpra a missão pública e responsabilize também os seus gestores através da avaliação do seu desempenho na concretização dos objectivos institucionais.

9. Implementação de sistemas integrados de informação e de um plano de contabilidade analítica a nível de todas as instituições de saúde, de modo a garantir a credibilidade dos resultados da sua actividade.

10. Criação de um sistema integrado de avaliação dos serviços de saúde e a implementação de mecanismos de avaliação periódica e de indicadores de acessibilidade, de oportunidade, de qualidade, de eficiência, de objectividade e de satisfação dos utentes e dos profissionais.

11. Possibilitar que o cidadão tenha acesso, na respectiva página Web das Unidades de Saúde, de um mínimo de informação referente aos indicadores do ponto anterior.

12. Aplicação de uma justa política de incentivos para a fixação dos médicos nas zonas e especialidades mais carenciadas, dando prioridade aos médicos mais jovens com a garantia de integração nas carreiras médicas.

13. Implementação de um seguro de responsabilidade civil e profissional entre os serviços de saúde e o Instituto de Seguros que salvaguarde os médicos de situações que lhes são alheias e que resultam de decisões da tutela ou dos seus nomeados nos órgãos de gestão como, por exemplo, carência de recursos adequados, normas de organização desajustadas das necessidades ou situações de cortes orçamentais.

14. Reconhecimento efectivo do risco, penosidade e insalubridade inerentes à profissão médica, regulamentando a legislação geral já em vigor há mais de 8 anos.

 

II. Uma Nova Gestão e Uma Nova Organização

É necessário substituir o modelo de administração burocrática tradicional de comando e controlo que vive à margem de hierarquias técnicas, por um novo paradigma de gestão, assente na descentralização, autonomia e responsabilização de cada serviço, na gestão contratualizada por programas e objectivos, na visibilidade e transparência de resultados, além da avaliação regular dos desempenhos, a qualquer nível de produção, conferindo-se, assim, mais eficiência e responsabilidade à gestão da "causa" pública em geral.

Nesse sentido, qualquer um dos desideratos apontados pela FNAM suscita a necessidade de um papel mais activo dos profissionais, de uma gestão efectiva, estratégica e participativa, capaz de influenciar dinamicamente toda a organização.

1. Elaboração de um diploma, Lei-Quadro, que consagre um novo quadro da gestão das Unidades de Saúde, procedendo à definição de mecanismos de avaliação do desempenho de todos os cargos dirigentes e de medidas objectivas de avaliação e responsabilização profissional a todos os níveis organizacionais.

No âmbito desta perspectiva de gestão:

a)- Cada unidade deve estar obrigada à definição da sua missão institucional, em função da qual serão determinados os objectivos, e desenvolver uma cultura organizacional sustentada na eficiência e nos resultados, bem como na prestação regular de contas;

b)- Todos os dirigentes devem tornar pública a sua carta de missão;

c)- Existência de um quadro de referência para o acompanhamento do exercício dos dirigentes, contribuindo para a criação de uma cultura de transparência e de prestação de contas.

2. Proceder à integral desgovernamentalização dos órgãos de gestão das Unidades de Saúde, passando esses órgãos a serem nomeados na sequência de concursos com base na apresentação de um orçamento-programa, que no final de cada ano deverá ser objecto de uma avaliação rigorosa, assente em parâmetros objectivos, e conduzindo a uma efectiva responsabilização pelos resultados obtidos.

3. A nível das direcções de serviço e de departamento, e com o objectivo de proceder à eliminação de nomeações em função de meros interesses clientelares e de grupos, estes cargos devem ser ocupados na sequência da apresentação prévia de contratos-programa articulados e hierarquizados com a missão institucional globalmente definida.

4. Urgente reestruturação do funcionamento hospitalar com a implementação de Centros de Responsabilidade Integrados (C.R.I.), perspectivados como elementos facilitadores de uma adequada departamentação e promotores de uma maior autonomia e responsabilização.

5. Aprofundamento da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários com a reconfiguração dos Centros de Saúde, implementação das Unidades de Saúde Familiares e outras unidades funcionais (USP, UCC, entre outras) e introdução da diferenciação técnica e da governação clínica (direcção clínica) como medida fundamental para melhorar a qualidade dos CSP.

6. Dotar os Cuidados de Saúde Primários de mais efectivos médicos, de enfermagem e de outros profissionais, nomeadamente na área do serviço social, psicologia, fisioterapia, nutricionismo e medicina dentária.

7. Exigir que o Centro de Saúde seja dotado com as condições instrumentais adequadas ao local e às necessidades em saúde detectadas, nomeadamente pelo recurso progressivo à telemedicina e, onde tal se revele adequado, ao apetrechamento em exames auxiliares de diagnóstico e de tratamento.

8. Reforçar a área de Saúde Pública devolvendo-lhe os instrumentos adequados para a intervenção comunitária e ambiental de que o país carece.

9. Aplicação de programas de melhoria contínua da qualidade em todas as Unidades de Saúde, encarados como um mecanismo inerente ao desenvolvimento da actividade gestionária quotidiana.

10. Revitalização das Funções de Agência, em todas as ARS, tanto para a área hospitalar como para os CSP, com a participação de representantes dos profissionais, utentes e autarquias.

11. Oposição clara às tentativas de destruição da independência técnica da carreira médica da saúde pública e da sua colocação sob a tutela autárquica

12. Desenvolvimento de uma política de recursos humanos que:

a. Promova a participação regular dos profissionais na definição dos objectivos de cada unidade e possibilite a democratização da gestão e do ambiente institucional.

b. Fomente uma cultura organizacional que coloque ênfase na capacidade de iniciativa e de análise crítica.

c. Encoraje a inovação.

d. Identifique os profissionais de saúde com os objectivos institucionais.

e. Estabeleça como referência a formação e a aprendizagem contínuas.

f. Desenvolva medidas de desconcentração funcional e a adequação da organização do trabalho às novas solicitações de desempenho institucional, no respeito pela participação dos profissionais e do enquadramento laboral das respectivas carreiras.

13. Oposição a qualquer tentativa de privatização dos CSP, seja através de unidades de saúde familiares modelo C, do futuro decreto-lei da reconfiguração dos Centros de Saúde ou no contexto de uma eventual transferência da tutela para as autarquias locais.

III. Carreiras, Condições de Trabalho e Formação

É preciso romper com a lógica que implica horários longos, excesso de horas nos Serviços de Urgência, o pluriemprego, elevados níveis de precaridade (CAP e CIT), reduzidas despesas com a formação contínua, quase totalmente entregue à indústria farmacêutica, fraca ou nula participação dos médicos na vida das unidades de saúde e défice de condições de trabalho, nomeadamente na carência de instrumentos do sistema de informação.

  1. Garantir a organização das Carreiras Médicas e a sua melhoria contínua, no respeito pela autonomia e independência técnico-cientifica, aplicando-as a todos os médicos independentemente do seu vínculo laboral.
  2. Recusa de quaisquer formas administrativas de coacção e de interferência na actividade técnico-científica da profissão.
  3. Estabelecer programas estruturados de formação médica contínua, assegurados pela entidade empregadora, como garante da qualidade assistencial e profissional.

Criar incentivos à formação médica contínua, associando-a à progressão na carreira e à remuneração.

4. Responsabilizar, prestigiar e recompensar (monetariamente, em horas de compensação, férias, formação, etc.) a função de orientador da formação dos médicos internos, independentemente das especialidades.

5. Abolir formas de contratação precária dos médicos, inserindo-os nas carreiras.

6. Revisão e actualização dos quadros de pessoal das Unidades de Saúde, de acordo com as necessidades de desempenho, e abertura regular de concursos de provimento.

7. Respeito integral pela periodicidade anual dos concursos de habilitação.

8. De acordo com um plano anual de formação a criar em cada Unidade de Saúde, conceder comissões gratuitas de serviço até 15 dias úteis/ano.

9. Credibilização dos Internatos Médicos através de uma avaliação, tornada pública, permanente da idoneidade dos vários serviços para a formação, bem como a revisão regular dos curricula em cada especialidade.

10. Redução do horário de trabalho normal máximo para 40 horas semanais, de acordo com as directivas europeias e sem implicação remuneratória.

11. Aplicação de uma majoração salarial para os médicos da carreira de saúde pública que exerçam as funções de Autoridade de Saúde.

12. Dotar as Unidades de Saúde de tecnologias de informação e de comunicação que permitam a ultrapassagem dos bloqueios burocráticos e racionalizem os procedimentos, de modo a aumentar a eficiência, a qualidade assistencial e a rapidez de resposta.

13. Criação de serviços de saúde ocupacional, com quadros próprios, que abranjam todas as Unidades de Saúde, dando cumprimento à legislação em vigor há largos anos e sistematicamente violada.

14. Adoptar programas específicos de prevenção e protecção dos riscos profissionais em todas as instituições de saúde.

15. Desencadear a eleição das Comissões de Higiene, Segurança e Saúde, definidas legalmente, em todas as instituições de saúde, públicas e privadas, em colaboração com as outras estruturas sindicais da área da saúde.

16. Regulamentação, a curto prazo, do subsídio de risco, penosidade e insalubridade, cuja legislação geral se encontra em vigor há mais de 8 anos.

IV. Política Salarial e Carreiras

 

Estando em desenvolvimento uma reforma global das carreiras, vínculos e remunerações da Administração Pública, a FNAM, além da abordagem das carreiras, empenhar-se-á na elaboração de propostas realistas no plano salarial e que consagrem a especificidade e a diferenciação técnico-científica da profissão médica e pela recusa das horas extraordinárias como a única forma de melhorar o salário.

No âmbito de negociações que sejam desencadeadas a nível do diploma das Carreiras Médicas, a FNAM desenvolverá todos os esforços na estruturação de propostas reivindicativas e negociais que promovam a qualidade e a dignificação do trabalho médico, realizando iniciativas de discussão junto dos colegas com o objectivo de auscultar as diversas opiniões e adequar essas propostas às justas expectativas e aos legítimos interesses da generalidade dos médicos.

A FNAM, assume um programa reivindicativo nesta matéria que passa:

  1. Em primeira instância, pela defesa das Carreiras Médicas e da sua autonomia e independência técnica e profissional, independentemente do vínculo laboral, defendendo que o futuro modelo-base de carreiras deve ser aplicado, a todos os hospitais e unidades de saúde que integrem a rede do S.N.S., independentemente do regime jurídico ou modelo de gestão (Hospitais EPE, ULS EPE, futuros PFI, ARS IP, gestão privada), de forma a garantir a qualidade da medicina prestada e a facilitar a mobilidade dos profissionais entre instituições.

 

  1. Estruturação geral da Carreira: defendemos uma estrutura piramidal por categoria profissional, progressão na vertical (categorias) e evolução na horizontal (escalões) e uma remuneração assente em competências (avaliação externa - graus), no desempenho (avaliação interna) e um terceiro eixo baseado na criação de um sistema de incentivos (contratualização e avaliação).
  1. Revisão do N.S.R. (Novo Sistema Retributivo) para os médicos das três Carreiras, visando um maior reconhecimento, no plano salarial, da especificidade do trabalho médico e da sua elevada diferenciação técnico-científica, com a introdução, para além da remuneração-base, de um módulo funcional, sistema de recompensa e de incentivos (não só remuneratórios, mas também outros incentivos), tendo em conta a melhoria da eficiência, da produtividade e da qualidade dos serviços prestados, na base de contratos-programa, livremente discutidos pelos profissionais no seio das instituições.

 

V. Contratação Colectiva

Nas várias instituições privadas de saúde ou em instituições com gestão privada, os Sindicatos que constituem a FNAM desenvolverão iguais esforços reivindicativos e negociais para concretizar a contratação colectiva, onde os legítimos interesses e direitos dos respectivos médicos sejam adequadamente salvaguardados, nomeadamente pelo respeito da hierarquia técnico-científica (Carreiras Médicas com os seus diversos graus e categorias) e que seja respeitada a recomendação do Comité Permanente dos Médicos da UE que rejeita o incentivo salarial ligado à poupança, o que pode constituir um atentado à ética e deontologia profissionais, além da inevitável diminuição da qualidade assistencial.

 

VI. Reforço do Sindicalismo Médico

  1. Criar condições para assegurar e aperfeiçoar os mecanismos de participação e consulta aos sócios, para que cada vez mais sócios participem de forma activa e interveniente no processo de discussão sobre as matérias mais importantes da actividade sindical.
  2. Manter as actuais Comissões Nacionais de Trabalho Sindical a nível das 3 carreiras médicas e constituir outras em áreas sectoriais que sejam consideradas relevantes, nomeadamente a nível dos médicos internos e em início de carreira, de modo a aprofundar e a dinamizar a intervenção reivindicativa a nível sectorial.
  3. Preservar a posição de princípio quanto à necessidade de desenvolver esforços na criação de plataformas de entendimento e de convergência entre as várias organizações médicas, no respeito pela natural diversidade de opiniões e tendo bem presente o pressuposto que a unidade se faz entre diferentes.
  4. Manter o relacionamento com as organizações sindicais dos restantes sectores de profissionais de saúde, reafirmando a posição de contribuir para acções reivindicativas conjuntas em torno dos problemas comuns e da defesa do SNS.
  5. Promover relações de cooperação com as Associações de Estudantes de Medicina.
  6. Manter a colaboração com a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública.
  7. Manter a participação na Confederação Portuguesa dos Quadros Técnicos e Científicos.
  8. Desenvolver contactos regulares com as organizações médicas dos países da C.P.L.P. .
  9. Melhorar e aprofundar o trabalho da FNAM no âmbito das actividades da Federação Europeia dos Médicos Assalariados (FEMS).
  10. Manter o relacionamento e a cooperação com a CGTP-IN e a UGT.

O facto da FNAM e dos seus 3 Sindicatos não estarem filiados em nenhuma central sindical não significa a adopção de qualquer posição de isolamento ou de recusa numa cooperação mutuamente vantajosa.

Por isso, continuamos a considerar que o relacionamento regular com as 2 centrais sindicais é um factor estratégico para uma intervenção sindical mais eficaz na defesa dos legítimos interesses sócio-profissionais dos médicos.

 

Porto, 15/4/2007

O 6.º Congresso da FNAM

 
 

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Revista dos Médicos - Jan-Set/03
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Seguro Nacional de Saúde nos Estados Unidos:Um drama em demasiados actos.
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( Grã-Bretanha )

 

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